Quase sete mil funcionários ficarão desempregados ainda este ano na região Sul do Espírito Santo. De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Guarapari (Sindicig) Fernando Campos, devido a não extensão da Samarco, os funcionários estão sendo demitidos gradualmente até o final do ano de 2013.

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Projetos e estudos feitos há alguns anos, planejavam que nesta data estaria começando a construção da CSU, o que procedia em contratação ainda maior em empregados ligados à área da construção. Mas não é essa a realidade. “Estamos próximos de um grande problema social com a desmobilização na Samarco”, relata Fernando Campos.

Os estudos constataram que além da CSU, a 5ª usina também estava programada a ser construída, mas ambas foram adiadas. A liberação para essas construções depende tanto da conjuntura internacional, quanto da conjuntura estadual. Entretanto, a falta de portos, ferrovias, aeroportos nessa região que permeia de Guarapari à Presidente Kennedy, atrapalha o andamento de projetos futuros.

Fernando recorda que já se falou em porto de Itaoca, porto de Presidente Kennedy, ferrovias para esta região, até uma termoelétrica seria instalada, mas nada foi concretizado. A ausência dessa estrutura inviabiliza maiores projetos que estudam instalar no estado.

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A Samarco cumpriu a meta ambiental das condicionantes dela, que era contratar o maior número de pessoas locais. Dessas quase sete mil pessoas, aproximadamente 60% são trabalhadores da região – Guarapari, Anchieta, Piúma, Itapemirim, Presidente Kennedy.

Esse é o maior agravante. Mais de quatro mil pessoas locais estarão desempregadas. Pois as pessoas não locais retornam para sua cidade, e na região que permeia a empresa, ainda não há soluções para essas pessoas. “Essas pessoas foram qualificadas para trabalhar na construção civil, e são muito bem qualificadas”, diz Fernando.

Partindo desse princípio, o agravante também venha ser a requalificação desses profissionais. O presidente do sindicato expôs que não houve um plano para requalificar esses trabalhadores em outra função, e não há nenhum plano por parte das prefeituras para reinstala-los.

Foto Fernando Sindicig
Fernando Campos presidente do Sindicig. Foto Divulgação.

Fernando completa, “quando se iniciou as obras foi prometido cursos de capacitação para que estes trabalhadores pudessem ter outras profissões e nada está acontecendo. O que será desse município em que a única indústria de Construção Civil está com diversos impedimentos para continuar a investir. Quem vai absorver estes trabalhadores?”.

A solução em curto prazo que o presidente prevê é destravar as construções no município de Guarapari. Todavia, a construção civil reduziu aproximadamente 10% no estado. Se houvesse a liberação na cidade, isso poderia reduzir o número de desemprego na região. “Tem-se uma legislação que manda você construir. Mas vem algum juiz, promotor ou entidade que entra com uma liminar e embarga o processo”, diz ele.

A atual administração do município de Guarapari segundo Fernando, está vivendo a política do não. Portanto, quando se encaminha um projeto para avaliação, este demora anos para ser discutido. “Tudo bem, tudo deve ser discutido, mas tudo precisa ser discutido rapidamente. Com o sim ou não você resolve o problema”, relata.

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