O Carnaval é um dos feriados em que a cidade mais recebe turistas no ano e também é o período em que crescem as expectativas dos empresários de município em poderem aumentar sua renda na alta temporada.

No entanto, para os donos de hotéis e pousadas este carnaval não se tornou sinônimo de lotação máxima. E a antiga questão da superlotação dos imóveis de aluguel volta a ser discutida. A proprietária de uma pousada na Praia do Morro, Fátima Fonseca, conta está ocupação de somente 50%, mesmo a cidade estando cheia de turistas.

Questão da superlotação dos imóveis de aluguel volta a ser discutida.

“A cidade está muito cheia, mas esses turistas estão em ocupações irregulares. Ontem mesmo em frente a minha pousada, desembarcou um ônibus lotado em um prédio. Aqui perto tem um dos maiores estacionamentos de ônibus, chega a ficar com uma média de 70 ônibus de excursão, eles vem todos lotados, sem contar com outros estacionamentos, isso pra se ter uma ideia de quantas pessoas tem na cidade, e ainda sim os hotéis não estão com um bom rendimento”, conta.

Fátima fala que a ocupação desordenada não prejudica somente seu comercio. “Essa não é uma questão que atrapalha só aos donos de hotéis, mas cidade toda. Não estão contribuindo com e economia do município, mas a cidade recebe lixo, estão consumindo nossas belezas naturais, aumentando o volume de esgosto, adoecendo e ocupando o Upa. Receber tantos turistas que não agregam a economia da cidade não faz sentido”, comenta.

E fala ainda. “Eu como pessoa jurídica pago R$4,00 reais pelo metro cúbico da água, enquanto o dono de uma casa de aluguel, como pessoa física, paga R$1,00, recebendo 30 pessoas em um imóvel de 3 quartos, isso é só um dos exemplos. Nós pagamos impostos por cada hóspede, gerando emprego e renda. Todo ano contrato 3 funcionários a mais para o carnaval, mas nesse ano, pelo baixo movimento na pousada, não pude nem gerar esses empregos, isso prejudica à todos”, conta Fátima.

Os ônibus chegam e trazem os turistas que lotam as casas de aluguel.

Fernando Otávio, dono de uma pousada na cidade, fala sobre os problemas da superlotação de imóveis de aluguel. “Essa ocupação desordenada traz problemas de mobilidade, falta de água, acúmulo de lixo, picos de luz. Um imóvel de aluguel não gera nenhum imposto, a não ser o IPTU, que é o mesmo se a casa estiver vazia ou lotada, não gera mais renda pela ocupa ocupação”, diz o proprietário de um hotel na cidade.

Regulação. Fernando ressalta que a regulação das casas de aluguel traria benefícios para todo município. “A cidade recebe cerca de 500 mil pessoas na alta temporada e tem cerca de 40 mil imóveis, e nem todos são de alugueis. Mas isso dá uma média de 10 pessoas por imóvel. 90% deles cabem 6 pessoas, então a maioria deles excede o número de habitantes. Se houvesse regularização, a cidade precisaria construir o dobro de imóveis para receber esse mesmo número de pessoas, e isso seria muito bom para geração de empregos para cidade, e consequentemente a circulação de dinheiro no município”, fala.

AHTG. Renato César, presidente da Associação de Hotéis e Turismos de Guarapari (AHTG) fala que a solução é normatização dos imóveis de aluguel no município. “Já existe um projeto que trata da regularização dessas locações. Pra fiscalizar o número de pessoas, cobrar o registro do CPF de cada uma delas, tornar obrigatória a vistoria do bombeiro. Isso traz segurança para todos”, ressalta o presidente da associação.

Que comenta também. “O pessoal acha que vai só pagar. Vai pagar, mas vai ter retorno. Com isso ele vai poder aumentar o aluguel dele, por que as pessoas vão se sentir seguras para vir para uma casa de aluguel, os recursos da cidade não vão se esgotar, e será gerado o imposto para o município”, fala Renato César.

O Portal 27 procurou a prefeitura, que através de nota, informou que “O assunto já está sendo analisado pela Secretaria Municipal de Turismo, Empreendedorismo e Cultura para envio de legislação específica e aprovação para o próximo ano”, garantiu  a prefeitura.

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