A cena política de Guarapari em 2013 é uma bomba relógio. Os bastidores se movimentam a cada semana, causando efeitos de placas tectônicas, com intenso barulho político e possibilidades de virar terremoto.

Os efeitos desta situação, devem deixar Ministério Público e Policia Federal em alerta, para uma possível ação nos próximos meses, ou dias. Mas o que ocorre?

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De todas as informações (e são muitas) podemos resumir no seguinte. Existe um grande conflito entre os poderes executivo (Prefeitura) e o poder Legislativo (Câmara).

Dos 15 vereadores, apenas 5 estariam do lado de Orly Gomes (DEM). Que seriam, Anselmo Bigossi (PDT), Thiago Paterlini (PMDB), Jorge Figueiredo (PP), Gedson Merízio (PSB) e  Manoel Ki-Delicia (PT).

Os outros 10, formados por Jorge Ramos (MD),  Oziel Pereira (MD) , Ronaldo Gomes (PRP), Aratu Capistrano (PV), Lincoln  Bruno (PTN), Paulina Aleixo (PP), Dito Xaréu (PTB), Fernanda Mazzeli (PSD) e Wanderlei Astori (PDT), estariam “esticando a corda” na relação com Orly em busca de dividendos eleitorais, (obras e  cargos, por exemplo).  Mas a falta de traquejo político de Orly estaria piorando a situação.

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O prefeito não tem atendido em nada, os vereadores da oposição (grupo dos 10). Estes já estariam em desespero com a falta de atividade política de Orly e de obras em suas bases políticas e de espaços no poder executivo para os seus correligionários.

Na verdade este grupo tem percebido que Orly não atende nem os vereadores da sua base (grupo dos 5). Um vereador do grupo dos 5 confidenciou ao portal 27, que Orly parece não saber, ou não querer fazer política. “Ele é muito devagar, não tem nem cacoete político. Não quer participar de nada. Uma falta de vontade de fazer política que eu nunca vi na vida”, afirmou.

Outro vereador, disse que não sabe como Orly chegou aonde chegou (como empresário), com essa falta de vontade. “Ele é um vencedor na vida empresarial, mas ele está com uma indisposição pelo trabalho político que me preocupa muito”, disse.

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Guerra fria. Essa falta de ação do poder executivo está deixando alguns vereadores muito chateados. Isso já deixou a relação entre os dois poderes mais do que complicada.

Um exemplo, na semana passada estava em pauta um projeto do executivo solicitando autorização à Câmara para utilizar R$ 83.000,00 (oitenta e três mil reais) de recursos do Estado para pagar a empresa licitada, que fez a reforma do ginásio do Polivalente. Projeto de reforma com recursos do Estado. Pois bem, os vereadores de Guarapari não aprovaram e isso resultou na devolução de 83 mil reais ao Governo do Estado.

“Como isso, a prefeitura vai ter que tirar de seus recursos 83 mil para pagar a empresa. 83 mil que poderiam ser gastos, por exemplo, em folha de pagamento, vale transporte e etc. Mas que sairão dos cofres públicos porque a câmara não autorizou o repasse”, diz uma fonte de dentro da prefeitura, revoltada com essa atitude da Câmara.

“A empresa que reformou o ginásio está entrando com pedido de indenização à prefeitura. Os 83 mil reais sairão dos nossos bolsos, dos nossos impostos, a prefeitura vai ter que cobrir este custo com recursos próprios, sendo que já tinha estes 83 mil em dinheiro do Estado”, completa a fonte indignada.

Engessando. Ainda de acordo com a fonte,  no dia 15 de maio, os vereadores aprovaram todos os projetos que estavam na pauta, mas deixaram de aprovar um projeto do esporte. Eles poderiam ter aprovado um projeto que pede autorização para convênio, de um repasse de verba de 50 mil para realização da Corrida Cidade Saúde. “Mas os vereadores esvaziaram o plenário e não foi votado por falta de quórum”, disse, explicando que essa corrida faz parte do calendário de eventos de Guarapari.

Foi explicado que a  corrida no ano passado foi realizada e tem custo médio de 120 mil reais, então entram a Caixa Econômica como patrocinadora,  outros apoiadores e a parte da prefeitura seria de 50 mil. “Foi mais um projeto que não teve êxito”, finaliza.

Esse seria o contra ataque da Câmara, deixar de aprovar projeto do governo e literalmente “engessar” a prefeitura.

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Fogo amigo. Mas nesta semana, uma verdadeira confusão ocorreu dentro da Câmara, de acordo com informações obtidas pelo portal 27, o grupo dos 10 vereadores teria se reunido na sala do presidente Wanderlei Astori (PDT) e lá, segundo informações, “O pau quebrou” literalmente. Inclusive com uma vereadora que teria saído aos prantos.

A discussão foi pesada entre os vereadores com troca de acusações, de que alguns estariam “pulando para o lado do Orly”. Até o presidente, vereador Wanderli Astori (PDT) foi acusado de nos bastidores estar “fechando” politicamente com Orly.  “Os vereadores do grupo dos 10 viram Wanderlei almoçando com o líder do prefeito, Anselmo Bigossi e acharam que ele estava articulando por fora. Por isso foram tirar satisfações”, diz uma fonte que acompanham de perto os vereadores. Outra pessoa, disse ter ouvido de um vereador do grupo dos 5, que eles estariam sendo traídos e  “garfados” por Wanderlei.

Rachou. Depois dessa reunião, o grupo dos 10 teria rachado e pelo menos três vereadores teriam “desagrupado” e podem possivelmente apoiar Orly. Nas redes sociais, alguns  nomes foram citados e o vereador Ronaldo Gomes (PRP) confirmou a mudança. “Hoje dia 17/05 teve uma sessão extraordinária realmente alguns vereadores tiveram um comportamento diferente, vamos começar a observar a partir de terça-feira quando estiver sendo transmitido ao vivo pela TV”, escreveu ele em um grupo no facebook.

O portal 27 procurou um  vereador que seria um dos  que teriam “abandonado” o grupo dos 10, mas o parlamentar que não quis se identificar, disse que não houve briga, mas afirmou que vai ser independente. “Eu vou continuar trabalhando do meu jeito, fazendo meus projetos sem estar ligado a grupos, nem a ninguém”, disse.

Virou o jogo? Não se sabe se o grupo realmente rachou, se foi por brigas internas ou se Orly finalmente se movimentou politicamente, trazendo para a sua base mais três vereadores. Se isso ocorreu, ele vai ter mais tranquilidade para aprovar os projetos do executivo, visto que com oito vereadores teria a maioria absoluta para aprovar grande parte de seus projetos, deixando de ficar refém do antigo grupo formado por 10 vereadores.

Fogo amigo2.  Mas como nada é simples em Guarapari, se Orly parece estar virando o jogo na Câmara, o mesmo não se pode dizer do executivo.  O portal 27 já tem várias denúncias sobre pelos menos dois secretários que estariam realizando ações que vão dar problemas a Orly.

São casos para o Ministério Público investigar. Na verdade as denúncias já estão no MP, e as investigações já começaram. Dentro em breve, muitas mudanças podem ocorrer no executivo e até no legislativo.

O portal 27 está apurando e o que se observa é que o primeiro ano de Orly não tem sido nada fácil.  Vamos aguardar o final desta bomba relógio, se ela vai explodir, ou se alguém será capaz de desarmar a tempo de salvar a todos nós.

Por Wilcler Carvalho Lopes