Era uma cabana de bambu e palha, na beira da praia. E irmãos cheios de sonhos. Eles apostaram em Meaípe. Começaram com a venda de camarões e o prato principal: a moqueca capixaba! Cinco décadas depois, o Restaurante Gaeta é um dos principais responsáveis pela divulgação da culinária capixaba e do balneário de Meaípe, em Guarapari.

gaeta 50 anos

A moqueca, feita de forma artesanal na panela de barro, sempre servida com peixe fresco e ingredientes comprados na semana, é o carro chefe do estabelecimento.  “O Gaeta foi um projeto do meu irmão, Manoel Duarte Matos. Em 1966 começou a funcionar. Em 1974, ele abriu o Gaeta Chopp na Praia do Morro e foi administrar o restaurante de lá, aí eu assumi a direção geral daqui de Meaípe, em janeiro de 1975”, disse Nhozinho Matos, 72 anos,  dono do restaurante e conhecido como moquequeiro!

O restaurante é uma empresa familiar, formada pelo, Idalina Vieira e os filhos deles Léo e Leonardo que ficam responsáveis pelo caixa. Idalina, sempre muito simpática, recebe os clientes na porta e mostra as mesas para que as pessoas fiquem bem à vontade, se sintam em casa. “Olá, tudo bom? Temos mesas com areias no chão, são essas aqui, de frente para a praia”, disse ela à uma cliente que chegava na hora da entrevista ao Portal 27 no restaurante. E continuou: “Essas mesas são as mais disputadas.

Nhozinho
Nhozinho Matos, 72 anos, proprietário e conhecido como moquequeiro. Foto: Isabela Vidal

Com cinquenta anos de funcionamento há mais de 30 famílias que são clientes assíduos. Pessoas que vêm principalmente da Grande Vitória e Guarapari para apreciar os pratos do Restaurante, mas há clientes do Brasil todo. A história do restaurante se mistura à das famílias. “Tem gente que pede até hoje para comer o feijão ralado que é servido no prato infantil. Diz que lembra de quando era criança e vinha passar as férias aqui. Já estamos recebendo a quarta geração das famílias. Quem vem, traz os filhos, e depois os netos e por aí vai!”, disse Idalina.

Para manter as portas abertas por tanto tempo, um dos segredos é ter os funcionários como uma segunda família. “Se não fosse a nossa dedicação e a dos nossos funcionários, não teríamos o sucesso que temos hoje. Eles vestem mesmo a camisa, trabalham de forma honesta e assim formamos uma boa equipe”, afirmou a sócia do estabelecimento, Idalina.

Idalina
Idalina, sempre muito simpática, recebe os clientes na porta. Foto: Isabela Vidal.

Nhozinho completou: “Eles são nossos colaboradores, vêem a nossa dedicação, percebem que têm que se dedicar também, e que o “chefe” tá cobrando e participando, porque quando você manda mas não faz também, não sabe das dificuldades que existem. Aqui a gente participa de tudo, desde a entrada do cliente, o acompanhamento do pedido, até o caixa. Trabalhamos com pratos artesanais e fazemos tudo com muita dedicação!”

O NOME GAETA
O nome do restaurante vem das ilhas que levam esse nome e ficam a menos de uma milha náutica da Praia de Meaípe. E os nomes dos pratos foram, a partir daí, inspirados em Ilhas de Guarapari. Existem as moquecas: Gaeta, Escalvada, Rasa, Três Ilhas e a Victory 8B. “Essa é uma homenagem ao maior recife artificial marinho da América Latina que se formou no navio que foi afundado de forma programada no mar de Guarapari em 2003.”, segundo Nhozinho.

MOQUECA DE BANANA
A moqueca de banana da terra foi criada por Idalina Vieira quando recebeu um grupo da Índia que estava a trabalho na cidade e todos eram vegetarianos. “Quando eu soube que eles vinham jantar aqui, me pediram para caprichar na salada. Fiz um prato bem grande com frutas e legumes. Ficou bem bonito e eles gostaram bastante. Mas aí vieram no dia seguinte, e pensei, como o capixaba gosta de comer moqueca com a banana crua, vou fazer uma moqueca de banana, sem o peixe e servir. Foi muito bem aceito! A partir daí a notícia foi se espalhando, espalhando, quem vinha pedia para fazer….aí acabou entrando como acompanhamento em todos os pratos do restaurante.”

Moqueca de banana
A moqueca de banana da terra foi criada por Idalina Vieira quando recebeu um grupo da Índia

MÍDIA
O Restaurante Gaeta começou a ser conhecido nacionalmente quando a Revista O Cruzeiro de circulação nacional, publicou, em 1968, uma matéria sobre o fim de semana em Guarapari e indicou o restaurante com fotos do então Prefeito da Cidade Pedro Ramos. Em 1975 o restaurante foi citado na Revista Plaboy na seção das páginas amarelas. Era uma entrevista do presidente da Air France que havia conhecido a cidade e o restaurante. Ele citou o Gaeta como um dos 10 melhores que já havia conhecido no mundo!

Gaeta
Em 1988 o Gaeta começou a concorrer e ganhar a Estrela do Guia 4 Rodas. Foto: Isabela Vidal.

Em 1988 o Gaeta começou a concorrer e ganhar a Estrela do Guia 4 Rodas, da revista Quatro Rodas, da Editora Abril. Esse é um prêmio para os restaurantes que mais se destacam no país. No Espírito Santo somente 6 ganham essa premiação. No país são 250, numa seleção de mais de 4 mil estabelecimentos. O Gaeta ganha a Estrela desde 1988 até hoje, em 2016.

Na televisão o trabalho do moquequeiro Nhozinho Matos começou a ficar conhecido através de programas das Rede Globo. O Globo Rural fez uma matéria sobre a moqueca capixaba na panela de barro no ano de 2004. Depois, no quadro do JN no Ar, do Jornal Nacional, outra matéria feita no restaurante.

A Dança dos Famosos, um quadro do Domingão do Faustão também mostrou a culinária capixaba filmando o prato sendo feito no Gaeta. No SBT, o Programa da Eliana, no quadro “Um Giro pelo verão” também deu como destaque Guarapari e a moqueca capixaba. E claro, as emissoras capixabas como Tv Tribuna/SBT, Tv Vitória/ Record, Tv Gazeta/Globo, Tv Capixaba/ Band, Tv Guarapari/ TVE, etc.

Revista O Cruzeiro
O Restaurante Gaeta começou a ser conhecido nacionalmente quando a Revista O Cruzeiro de circulação nacional, publicou, em 1968 uma matéria sobre o restaurante. Foto: Isabela Vidal.

50 ANOS

Perguntado sobre os desafios dos 50 anos de funcionamento do restaurante, Nhozinho afirma: “São muitos os desafios, mas não fugimos nunca deles! Quando há dedicação, nada se torna difícil, se quer é cumprir a missão. E o resultado, vimos depois. Aqui não tem crise….você tira o S e vira crie!”, diz.

Para comemorar a data, os funcionários ganharam uniformes comemorativos e o restaurante decoração especial. “Que venham mais 50 anos, espero que nossos filhos deem seguimento à esse projeto, a moqueca e o turismo não podem parar!”, encerrou Nhozinho Matos.

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