Samarco não define prazo para a volta das operações. De acordo com o jornal A Gazeta, a empresa comunicou que não houve acordo com credores na negociação das dívidas para quitar o débito de quase 14 milhões de reais. Entenda o caso.

Mariana. A empresa está fechada desde 2015, quando aconteceu o desastre em Mariana. Existia uma expectativa de que a produção da empresa retornasse em 2020 e até foram abertas, recentemente, vagas para contratação de funcionários. Entretanto a BHP, acionista anglo-australiana da empresa afirmou que a reativação da indústria não acontecerá, em função das dívidas com credores.

Sede da Samarco em Anchieta – fechada desde 2015. foto: João Thomazelli/Portal 27

De acordo com comunicado da BHP, emitido hoje (29), a Samarco só “voltará às operações quando for seguro e economicamente viável”. A decisão foi tomada, segundo a empresa, em função da negativa na negociação das dívidas com credores.

De acordo com o jornal, a Samarco afirmou que após as negociações, o acordo não foi firmado dentro do prazo e nenhuma outra negociação está programada. As medidas tinham como objetivo reestruturar as obrigações financeiras em relação a contratos de exportações e títulos de dívida da empresa, e as discussões aconteceram em confidencialidade, desde novembro de 2018, mas foram levadas a público com o fim do prazo para resolução da questão.

Multas. De acordo com o jornal O Globo, três anos após o desastre, a Samarco ainda não pagou nenhum centavo de multa ambiental ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama). As informações são do órgão, que instaurou 25 autos de infração que resultaram em multas de 350,7 milhões à empresa. Segundo o jornal, os dados revelam a dificuldade que o governo tem de punir grandes empresas, mesmo após desastres catastróficos.

Em tempo

As atividades da Samarco foram interrompidas em 2015, quando ocorreu o desastre de Mariana, com o rompimento da barragem de Fundão, que espalhou milhões de metros cúbicos de lama e matou 19 pessoas. A poluição percorreu o Rio Doce e causou grandes prejuízos até mesmo a cidades capixabas que tiravam seu sustento do rio. Além disso, o fechamento da empresa causou uma grande queda no PIB de Anchieta em 2016. Agora a tragédia se repete. Embora a barragem de Brumadinho fosse menor do que a de Mariana, já se contabilizam pelo menos 65 mortes, e um total de 279 desaparecidos, ou seja, um desastre muito maior em perda humana. Dessa vez, a Vale já foi multada pelo Ibama em 250 milhões, com cinco autos de infração.

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