“Saúde mental é coisa de doido.” — A maior mentira que alguns ainda repetem

Ontem, 10 de outubro, foi comemorado o Dia Mundial da Saúde Mental, uma data criada para lembrar a importância de cuidarmos da mente com o mesmo zelo que cuidamos do corpo. Mais do que um dia de conscientização, é um convite para refletirmos sobre como estamos realmente por dentro psicologicamente.

“Saúde mental é para doidos.” Coloquei a palavra “doidos” entre aspas porque essa frase não corresponde à verdade. Certamente você já deve ter ouvido isso de alguém — talvez daquele amigo, amiga ou parente que “sabe tudo”, o mais animado, sabichão e opinativo da turma. Inclusive sobre saúde mental.

Essa frase não corresponde à verdade. Certamente você já deve ter ouvido isso de alguém

Mas deixa eu te contar um segredo: esse tipo de pessoa — um perfil bem conhecido da psicologia — provavelmente precisa cuidar da saúde mental tanto quanto (ou até mais do que) qualquer um de nós. Só que isso é assunto para outro texto.

Voltando ao tema de agora: diversos dados comprovam que os transtornos mentais afetam todas as pessoas, em diferentes graus, e crescem a cada dia. Cito apenas um exemplo: dados divulgados em setembro pela Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que mais de um bilhão de pessoas em todo o planeta vivem com algum tipo de transtorno mental, incluindo ansiedade e depressão.

Tudo isso mostra que cuidar da mente é tão essencial quanto cuidar do corpo. Aliás, as duas coisas estão profundamente ligadas — e isso é sabido desde a Antiguidade. O ditado latino “Mens sana in corpore sano”, atribuído ao poeta romano Juvenal, significa “mente sã, corpo são”, e reforça que nossa mente e nosso corpo formam uma unidade. Quando um adoece, o outro sente. Somos seres integrais e precisamos estar em equilíbrio para estarmos realmente bem.

Se você não se sente bem e não sabe exatamente o motivo — ou se sabe o que te causa mal, mas não consegue lidar com isso — o primeiro passo é aceitar ajuda. Isso não é sinal de fraqueza, nem “coisa de doido”. Afinal, quem pode afirmar ser completamente “normal” o tempo todo? Quem nunca teve algo a melhorar, a entender ou a ajustar em si mesmo?

Procure ajuda profissional. Um psicólogo pode te ouvir, orientar e, se for necessário, encaminhar para um médico psiquiatra. E aqui vai minha opinião profissional: cuide da sua saúde mental apenas com psicólogos e psiquiatras devidamente formados. São profissionais que estudam durante anos para compreender o funcionamento da mente humana.

Fuja dos “profissionais” que se dizem “terapeutas”, mas se formaram em cursinhos rápidos ou duvidosos. Mesmo que a lei permita certas práticas, eu, sinceramente, correria deles. A intenção pode até parecer boa, mas a consequência pode ser o agravamento do seu sofrimento.

Saúde mental e saúde corporal devem ser tratadas com responsabilidade. Então, se você sente uma tristeza inexplicável, um desânimo que não passa, se percebe que suas relações com filhos, amigos ou cônjuge estão desgastadas, se vive momentos de ansiedade intensa, se o trabalho tem destruído seu equilíbrio emocional, ou se você simplesmente perdeu o sentido de algumas coisas do seu dia a dia — é hora de buscar ajuda.

Vamos conversar com um profissional? Vamos fazer terapia para colocar para fora o que está te sufocando, reorganizar os pensamentos e colocar tudo no lugar? Dê o primeiro passo para melhorar sua vida.

Com a terapia, você pode aprender a enfrentar os desafios reais e distinguir aqueles que só existem na sua cabeça. Cuide da sua saúde mental. Cuide de você.

Texto de Wilcler Carvalho Lopes, formado em Jornalismo, Psicologia (CRP 16.10412) e — a cada dia — mais “doido” pela vida e por poder ajudar quem precisa de ajuda.

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Wilcler Carvalho

Wilcler Carvalho Lopes formou-se em jornalismo pela Faesa em 2002. É pós-graduado em Letras: Português e Literatura pela FIJ em 2007. Trabalhou em jornais, rádios, TVs e assessorias de imprensa em órgãos públicos. É editor-chefe do Portal 27 e servidor público efetivo do setor de comunicação da prefeitura de Piúma desde 2012.

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