A Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) esteve em Piúma no último dia 22 de agosto, onde apresentou a representantes de pescadores da Ilha das Caieiras, de Vitória, o projeto de cultivo de vieiras (moluscos) e criação de ostras e mexilhões através do sistema “long-lines”.

O sistema apresentado consiste na utilização de um cabo com pesos nas extremidades para ancoragem e um conjunto de boias que o mantém suspenso na superfície da água com um dispositivo de engorda.

Cultivo de moluscos. Divulgação Governo do Estado.

O projeto é desenvolvido pela Seag, gerido pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) e executado pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) do campus de Piúma.

A atividade representa um grande potencial, uma vez que trata de uma produção animal sem uso de insumos como ração e medicamentos, reduzindo o impacto ambiental no cultivo.

A intenção do projeto é expandir as áreas de cultivo já existentes em Piúma, Anchieta e Guarapari, onde a maricultura já é realizada por aproximadamente 25 famílias.

Criação de mariscos

A maricultura é uma área da aquicultura que realiza o cultivo de organismos marinhos para alimento e demais produtos em mar aberto, em uma porção fechada do oceano, ou até mesmo em tanques e lagoas, onde são utilizadas água do mar.

Essa forma de cultivo também permite que haja o descanso na exploração dos estoques pesqueiros, permitindo que ambientes naturais se recuperem do impacto da pesca excessiva. Uma vez dedicando-se à maricultura, o pescador reduz o esforço de pesca sobre os estoques naturais de pescado, praticando uma atividade sustentável e contribuindo, dessa forma, com o meio ambiente.

A Seag, em parceria com Ifes, pretende ainda realizar um projeto-piloto para a criação de ostras em manguezais de Vitória, a custo zero, incluindo análises sanitárias e uso de materiais recicláveis de descarte.

Criação de camarões

Em seguida, os representantes da Ilha das Caieiras conheceram, ainda em Piúma, um projeto de criação de camarões marinhos em sistema de bioflocos. A produção funciona com altas densidades de estocagem e é capaz de produzir grandes quantidades de camarões em áreas menores de cultivo.

Em 360m³ de volume d´água, a produção no local pode chegar a 1 tonelada/mês de camarões cinza marinhos. O sistema funciona com zero emissão de rejeitos ao ambiente natural. A mesma água é utilizada, sem trocas, com aeração constante e reposição apenas da água perdida para evaporação.

De acordo com o gerente de Aquicultura, Pesca e Produção Animal da Seag, Alejandro Garcia-Prado, a Seag e os demais parceiros atuam em várias linhas de pesquisa e fomento da aquicultura no Estado. A meta de médio prazo é tornar o Espírito Santo uma referência em relação à produção de alimentos de origem aquática de alto valor nutritivo.

Para o gerente, a maricultura é uma atividade de grande relevância para o Estado. “A atividade é importante sob o ponto de vista social, econômico e ambiental. Social porque permite geração de renda para comunidades pesqueiras, econômica porque consegue movimentar a cadeia produtiva dentro de um município ou região e ambiental porque a maricultura de moluscos, principalmente, não usa nenhum tipo de insumo externo, nem ração, nem antibióticos, somente a água do mar. As algas também são um importante fator econômico, além do cultivo de crustáceos, principalmente o camarão cinza em sistema fechado, que não implicam em nenhum tipo de impacto ambiental”.

Fonte: Governo do Estado do Espírito Santo

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