Depois dos violentos homicídios que aconteceram nesta madrugada, ficaram muitas dúvidas de como teriam ocorrido as mortes. A equipe do Portal 27 entrevistou duas testemunhas que presenciaram o crime: o proprietário do churrasquinho, estabelecimento onde estavam os envolvidos, e também uma moradora do prédio vizinho, que presenciou o linchamento da varanda de sua casa.

Edimilson da Luz morreu no local, e Leandro Vieira da Silva, faleceu logo depois de dar entrada no hospital.

Os homicídios aconteceram na madrugada desta sexta-feira (02), quando o vendedor de CDs, Edmilson da Luz, de 43 anos, esfaqueou o universitário, Leandro Correia Vieira, de 25 anos, que veio a falecer depois de dar entrada no hospital. Edmilson foi linchado até a morte pelo grupo de amigos que estavam com Leandro.

O dono do churrasquinho, Raimundo Vitorino Costa, relata que o vendedor de CDs, Edmilson da Luz, mostrou que estava armado, em tom ameaçador. “Assim que ele chegou perguntou se guardava a arma (faca) dele, como se estivesse me avisando que ele estava armado. Disse que guardava e entregava para ele quando fosse embora, para prevenir qualquer problema. Mas ele acabou não me dando a arma”, comenta.

O proprietário do estabelecimento conta que Edimilson  já estava causando problemas no local. “Ele não costumava vir aqui. Durante a noite toda chamei várias vezes a atenção dele, sentava de mesa em mesa, perturbando as pessoas. Ficava abraçando as mulheres, estava muito inconveniente. Eu até já estava guardando as mesas e cadeiras, ia fechar porque ele estava perturbando muito”, conta Raimundo.

Leandro Vieira Correa, de 25 anos, era estudante de Engenharia Civil.

Raimundo fala também, que o universitário chegou por volta das 02h30 da madrugada, com um grupo de amigos. “Ele era um rapaz bom, vinha sempre aqui, pagava direitinho.Ele pediu uma porção, mas não deu nem tempo de entregá-la. Só ouvi um barulho, como se alguém tivesse caído no chão. Foi tudo muito rápido, não houve confusão, nem bate-boca, ninguém entendeu nada. Achei que o homem tivesse o empurrado e que ele tivesse ali no chão machucado com a queda. Não vi nem sangue, não vi nada. Só fui saber que ele veio a falecer agora de manhã”, relata o proprietário do estabelecimento.

Raimundo conta que então começou o linchamento de Edimilson. “Os amigos dele, depois do ocorrido, começaram a bater no Edimilson, não sei ao certo, mas era um grupo de 5 a 8 pessoas. Fechei as portas e chamei a polícia. Quando eles chegaram o vendedor de CDs já estava morto”, diz o dono do churrasquinho.

Edmilson da Luz.

Raimundo fala que ficou muito chocado com o ocorrido. “Aqui é um lugar família, vêm muitas crianças, as pessoas vêm mais para comer. Já estava fechando por causa das perturbações daquele homem, ele estava bebendo e já estava inconveniente. O que aconteceu foi muito triste”, comenta.

Outra testemunha, que preferiu não ser identificada, mora próximo ao local do crime e conta que foi acordada com os gritos de Edimilson, que estava sendo linchado. “Acordei assustada e fui para a varanda. Foram muito socos e pontapés no homem, só pararam quando viram que ele estava realmente morto”, diz a mulher.

Ela fala sobre o sentimento de impotência que viveu esta noite. “Assisti tudo da sacada, me senti amarrada, sem poder fazer nada, sem poder gritar. Fiquei com medo de chamar atenção deles, não sabia com que estava lidando. Ver uma pessoa ser linchada até a morte é uma cena que vai ser difícil de esquecer”, conta.

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