Um trabalho conduzido pelo serviço de Aids do Hospital Estadual Infantil de Vitória foi premiado e recebeu menção honrosa durante congresso brasileiro na área realizado na semana passada, em Salvador (BA). Durante dois anos, a equipe da Unidade conseguiu zerar a carga viral de 12, das 14 crianças e adolescentes com a doença em estágio grave. Esses pacientes não estavam conseguindo sucesso em esquemas terapêuticos anteriores.

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Além de dar nova perspectiva para eles, o alto índice de sucesso do tratamento contrasta com o que é encontrado nos livros. Isso chamou atenção dos avaliadores. “A literatura aponta uma taxa de supressão viral de aproximadamente 48% quando usados os medicamentos que adotamos. Mas, no nosso caso, esse índice chegou a praticamente 86%”, ressalta a responsável pelo serviço especializado do Hospital, Sandra Fagundes.

As crianças e adolescentes acompanhados estavam em tratamento falho desde 1994 e acabaram desenvolvendo a Aids em fase já considerada grave. Entre 2009 e 2012, os 14 pacientes (que adquiriram o HIV da mãe na gravidez) começaram a receber remédios mais potentes e modernos (antirretrovirais de terceira linha) com o objetivo de zerar a carga do HIV, o causador da doença.

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“Não podemos atribuir o sucesso apenas aos medicamentos. O grande desafio foi fazer com que os pacientes aderissem ao tratamento. Nos esquemas anteriores, não havia adesão porque as doses envolvem muitos comprimidos e são tomadas várias vezes ao dia. Alguns são líquidos com gosto ruim”, explica Sandra Fagundes, que também é coordenadora do Programa de DST/Aids da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).

Ela continua: “Embora os novos medicamentos exijam menos doses, é difícil fazer com que os adolescentes ingiram o comprimido diariamente, que é o necessário para fazer efeito. No caso de crianças menores, o obstáculo é o tamanho dos comprimidos. Sem contar que a própria adolescência já é uma fase naturalmente difícil para o paciente”, esclarece.

Durante a implantação da terapia de resgate, a equipe teve o cuidado de observar a ocorrência de efeitos colaterais importantes, já que os medicamentos adotados (Darunavir, Raltegravir e Enfuvirtide), a princípio, só eram usados em adultos. Todos os pacientes são reavaliados periodicamente e, atualmente, dos 14, 12 estão com a carga viral zerada e imunidade em dia, aptos a fazer atividades do dia a dia. Um abandonou o serviço e o outro não teve adesão.

Além da médica Sandra Fagundes, o trabalho teve a participação da professora de medicina da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Angélica Espinosa Miranda e das acadêmicas de medicina da Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia (Emescam) Débora Martins Ferreira, Fernanda dos Santos Linhares e Marina Moura Lopes Pereira.

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