A mineradora Vale, dona de 50% da Samarco — a outra metade é da BHP Billiton—, prevê que a empresa retorne às operações em Mariana (MG) e, consequentemente, em Anchieta, no Sul do Estado, entre julho e setembro deste ano, afirmou ontem o presidente da Vale, Murilo Ferreira, em um movimento apoiado pelo ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho.

O rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco, causou uma enxurrada de lama que inundou várias casas no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais.

A mineradora Samarco interrompeu suas atividades após o rompimento de uma barragem de rejeitos de minério de ferro em novembro de 2015, que deixou 19 mortos, centenas de desabrigados e poluiu o importante rio Doce, que percorre diversas cidades até desaguar
no litoral do Espírito Santo.

“Nós continuamos trabalhando com a previsão de que a Samarco vai voltar no terceiro trimestre deste ano, mas nós dependemos de diversos fatores… Estamos trabalhando dentro da volta da licença ambiental de todo o complexo”, afirmou Ferreira, em uma teleconferência para comentar os resultados da empresa em 2016.

O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, por sua vez, afirmou, que o governo torce para o retorno da empresa. “A expectativa é voltar o quanto antes… estamos torcendo para que sim”, afirmou Coelho Filho.

O principal desafio da Samarco para retomar a operação é a obtenção de licenças para a deposição de rejeitos, uma vez que a estrutura original não poderá mais ser utilizada após o desastre ambiental, o maior da história do País.

A Samarco, por meio de nota, explicou o processo de adequações para voltar às atividades. “Em 2016, a empresa solicitou o licenciamento da Cava de Alegria Sul para a disposição de rejeitos. A cava é uma alternativa temporária e permitirá a disposição de rejeitos em um futuro retorno das operações com 60% da capacidade produtiva (18 milhões de toneladas de pelotas por ano)”. E continua: “A estrutura contará ainda com um dique de 10 metros, resultando armazenamento de 17 milhões de metros cúbicos de rejeito.”