A Polícia Civil do Espírito Santo, juntamente com a Polícia Federal, prendeu um homem acusado de estuprar duas meninas nos Estados Unidos. O crime foi cometido há cerca de dois anos mas os familiares só tiveram ciência dos fatos no mês de maio deste ano. Isso aconteceu depois que uma das vítimas, que é uma adolescente de 12 anos, enviou um vídeo feito por ela para uma amiga. O preso é brasileiro e não teve o nome divulgado por ser parente das vítimas.

Uma das vítimas, que é uma adolescente de 12 anos, enviou um vídeo feito por ela para uma amiga.

O titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) da Polícia Civil, Diego Bermont, explicou à imprensa como o vídeo fez com que a família descobrisse e as autoridades chegassem até o acusado. “No dia 27 de maio, uma das vítimas, a adolescente de 12 anos, se trancou no banheiro porque havia investidas do indivíduo em desfavor da adolescente. Então, ela se trancou no banheiro e gravou essas investidas. Depois, ela apresentou esse vídeo para uma amiga e, logo após, foi noticiado para a mãe esses fatos. Logo em seguida, a mãe confrontou o estuprador, e conseguiu constatar que esses crimes aconteciam há pelo menos dois anos”. disse.

“Ela se trancou no banheiro porque já estava sendo molestada. Depois, ele tentou fazer com que ela abrisse a porta, tentou fazer com que ela tirasse foto das partes íntimas dela e enviasse para o celular dele. Logo depois, ela abriu a porta e ele continuou molestando essa adolescente. No final do dia, ela acabou noticiando os fatos para uma amiga, inclusive enviando o vídeo para essa amiga. Essa amiga tomou providências, informou para a mãe”

As autoridades estadunidenses foram até a residência onde o homem vivia e lá encontraram mais elementos durante as investigações, como acessório sexual e 164 vídeos de pornografia infantil no computador do acusado.

O delegado afirmou que a Polícia Civil do Espírito Santo aguarda o envio destas provas para incluir no inquérito já aberto para investigar os crimes. Enquanto isso, o acusado deve continuar preso.

“A Polícia Civil está esperando o compartilhamento das provas produzidas nos Estados Unidos. Nós temos ali a entrevista da vítima, da mãe das vítimas, a tradução desses documentos. Nós representamos por 30 dias a prisão e vamos pedir a prorrogação dessa prisão que é o tempo hábil e suficiente para que a gente receba esses elementos e, posteriormente, a Justiça tenha todos os elementos necessários para a condenação desse indivíduo”, ressaltou.

O Superintendente da Polícia Federal no Espírito Santo, Eugênio Ricas, afirmou que o homem sabia que era procurado nos Estados Unidos. Sabendo da dura legislação americana, ele fugiu do país pela fronteira com o México, para evitar ser preso em aeroporto. Lá, pegou um avião e veio para o Brasil. “Mas as autoridades americanas compartilharam essas informações com a Polícia Federal e o resultado, em um tempo muito rápido, é ele estar atrás das grades e, provavelmente, vai passar muito tempo da vida atrás das grades”, afirmou Ricas.

O superintendente destacou que, além de prisão perpétua, nos Estados Unidos, ele ainda teria de pagar uma multa de 200 mil dólares. “A gente sabe que a legislação americana é muito mais dura. Prevê, inclusive, a prisão perpétua e uma multa de 200 mil dólares para esse tipo de crime. Aqui no Brasil a pena também é severa. Ele pode pegar 30 anos de cadeia, até mais. Mas a Justiça nos Estados Unidos e a pena o intimidaram, o que acabou fazendo com que ele viesse para o Brasil”, explicou.

Eugênio Ricas contou ainda que o homem deve responder pelos crimes apenas no Brasil, já que por ser brasileiro, não pode ser extraditado. “Ele não pode ser extraditado. Ele é brasileiro nato. Apesar de ter praticado esse crime nos Estados Unidos, ele vai ter que responder esse crime no Brasil”, completou.