A rodoviária de Guarapari vai fechar na próxima segunda-feira. A data foi definida pela administração do empreendimento na manhã de hoje. Além de encerrar as atividades no local, a Construtora Telavive já entrou com ação judicial que cobra da prefeitura uma indenização de R$ 40 milhões.
“A intensão era de fecharmos amanhã mesmo, sexta-feira, mas por respeito aos usuários dos ônibus interestaduais e às empresas, resolvemos estender o funcionamento até a segunda-feira”, explicou Lucas Nicchio.

De acordo com ele, desde que foi inaugurada, a rodoviária funciona no vermelho, sendo que o custo mensal para se manter o empreendimento funcionando gira entre R$ 50 mil e 60 mil. Sem a arrecadação das taxas de embarque dos passageiros que usam as linhas intermunicipais, este valor nunca foi coberto. Atualmente, a rodoviária opera com prejuízos acumulados que giram em torno de R$ 1 milhão.
Ainda nesta semana a assessoria jurídica da Construtora Telavive vai ingressar com o pedido de indenização por quebra de contrato e lucro cessante.
“Além de um gasto de mais de R$ 20 milhões com a construção do imóvel, que é sem dúvida um dos mais bonitos terminais rodoviários do Brasil, como a prefeitura não está cumprindo o contrato assinado, temos que buscar os caminhos legais para sermos indenizados pela atitude da administração da cidade. Nós repudiamos a postura do município em optar por não recorrer da decisão liminar do desembargador que, com base em um decreto que já não está mais em vigor, derrubou a obrigatoriedade do embarque e desembarque de passageiros na rodoviária”, desabafou Nicchio.

“Infelizmente, por causa de 30 ou 40 que fizeram manifestações por causa destas mudanças, os 120 mil moradores de Guarapari vão pagar uma conta de R$ 40 milhões. Isso não vai ser sentido de imediato pela população, mas este valor, em algum momento terá que ser pago e vai ser pago dos cofres do município. Além disso, pelo menos 300 empregos diretos e incontáveis indiretos também deixarão de ser criados por causa desta postura irresponsável da atual administração”, declarou.
Entenda o caso
Há um ano atrás, em 20 de setembro de 2015, a nova rodoviária de Guarapari foi inaugurada, com direito a festa e presença de autoridades municipais. Mas a realização do sonho dos moradores da cidade em ter uma rodoviária na cidade virou pesadelo meses depois, quando uma das cláusulas do contrato assinado entre prefeitura e a Construtora Telavive veio à tona.
Na cláusula era previsto que todos os embarques e desembarques das linhas intermunicipais deveriam ser feitos exclusivamente na rodoviária, mas vários setores da sociedade intervieram para tentar derrubar esta obrigatoriedade.
A questão virou uma guerra jurídica, apoiada por várias manifestações populares, até que, através de uma decisão liminar os embarques voltaram a serem feitos em qualquer ponto de ônibus da cidade. O não comprimento do contrato gerou dívida milionária para os empresários que decidiram fechar o empreendimento.
Prefeitura
A prefeitura lamenta a situação e informa que ainda não foi comunicada oficialmente da decisão, mas ressalta que trabalha dentro do respeito ao dinheiro público e lamenta que o contrato assinado em 2011 esteja causando problemas aos empresários.










