Um mergulho pela vida: Guarapari celebra o Dia Mundial dos Oceanos com conscientização e encanto marinho

Neste 8 de junho, data em que se celebra o Dia Mundial dos Oceanos, o Portal 27 mergulhou de cabeça na preservação ambiental com uma beleza que só a cidade de Guarapari pode oferecer: um universo subaquático de biodiversidade vibrante, cenários naturais deslumbrantes e uma experiência que une turismo, educação e consciência ecológica.

Com cerca de 30 pontos de mergulho catalogados e reconhecida como um dos melhores destinos de mergulho do Brasil, Guarapari atrai turistas de todo o país interessados em conhecer a vida marinha de perto. Por trás desse ecossistema está um trabalho contínuo de educadores, mergulhadores e biólogos dedicados à preservação dos oceanos.

Guarapari é capital nacional da biodiversidade marinha.

Santuário de biodiversidade

“Guarapari é um verdadeiro santuário marinho”, afirma o biólogo e instrutor de mergulho Leonardo Alves da Silva, que atua na região há mais de uma década. “Aqui encontramos uma riqueza de espécies impressionante, e é fundamental mostrar isso para as pessoas como uma forma de sensibilizar sobre a importância da conservação marinha.”

Ele também alerta para os desafios ambientais: “Temos áreas incríveis que precisam ser preservadas. A retirada descontrolada de espécies e o lixo no mar ameaçam diretamente esse patrimônio natural.”

Bruno e Leonardo são mergulhadores da operadora Atlantes e contam com vasta experiência e conhecimento da vida subaquática de Guarapari.

Para Leonardo, o Dia Mundial dos Oceanos é momento de reflexão e ação: “Mais do que celebrar, é um dia para refletir. Cada um tem um papel na conservação dos oceanos, seja evitando o uso de plásticos, apoiando projetos locais ou respeitando os espaços naturais.”

A opinião é compartilhada por Bruno Felipetto, também instrutor, mergulhador e dono da operadora de mergulho Atlantes. Para ele, o contato direto com o mar transforma a visão que o visitante tem do meio ambiente.

“Guarapari tem um tesouro no fundo do mar, com mais de 700 espécies identificadas desde os anos 80. Temos o maior recife artificial da América Latina, o Victory 8B, afundado pela Atlantes em 2003, e o navio Bellucia, com mais de 120 anos, eleito o naufrágio mais bonito do Brasil. Os mergulhos nas ilhas Rasas e Escalvada são referência mundial, encantando pela quantidade de vida marinha nesses locais. Por isso, precisamos cuidar disso antes que seja tarde”, comentou Bruno.

Turismo consciente, experiência inesquecível

E foi exatamente essa conexão que encantou Breno Negrini, turista de Vila Velha que viveu a experiência do mergulho em Guarapari.

“Foi sensacional. Já tinha mergulhado em outros lugares, como Arraial do Cabo, Porto de Galinhas e Maragogi, mas a diversidade que vi aqui de peixes e de vida marinha foi fora do comum. O lugar é lindo, a estrutura do local é perfeita para a prática do mergulho. A visibilidade é muito boa. Você vê diversas espécies de peixes, de tamanhos diversos também. A vida é muito bonita. Vale muito a pena.”

Breno mergulhou com a filha. Emílio veio de Minas Gerais para conhecer.

Emílio Vilela da Silva, de Uberlândia (MG), também se mostrou impactado.

“É uma experiência muito boa. A biodiversidade de Guarapari é bem grande, muitos peixes, várias cores, corais de vários tamanhos. Eu que nunca tinha feito isso achei uma experiência super válida. E recomendo a todos fazerem. Vários amigos me falaram que aqui era muito bonito, que tinha vários peixes, vários corais, vários recintos. E achei bem bacana, uma experiência única. Já estou até planejando o próximo.”

A combinação entre beleza natural e consciência ambiental é a aposta dos profissionais do setor para fortalecer tanto a economia local quanto a proteção dos oceanos. “Já levamos esse tema para o poder público. A ideia é transformar essas áreas em Áreas de Proteção Permanente, mas a ação não avança. Enquanto isso, a pesca predatória está destruindo nosso ecossistema.”, reforça Bruno Felipetto.

Lixo encontrado no fundo do oceano. Uma linha de pesca, uma garrafa de vidro e um pedaço de chumbo de pesca.

Ameaças visíveis, soluções urgentes

Apesar das paisagens de tirar o fôlego, o ecossistema marinho de Guarapari não está imune a ameaças. Leonardo alerta para os impactos da pesca predatória e da poluição: “Temos áreas incríveis que precisam ser preservadas. A retirada descontrolada de espécies e o lixo no mar ameaçam diretamente esse patrimônio natural.”

Nesse sentido, o Dia Mundial dos Oceanos surge como uma oportunidade de mobilização coletiva. Escolas, ONGs e operadores de turismo promoveram durante toda a semana atividades educativas, mutirões de limpeza e palestras com especialistas.

“Mais do que celebrar, é um dia de refletir. Cada um tem um papel na conservação dos oceanos. Seja evitando o uso de plásticos, apoiando projetos locais ou apenas respeitando os espaços naturais”, completa Leonardo.

O mar é de todos, a responsabilidade também

Em Guarapari, o Dia Mundial dos Oceanos foi mais do que uma data simbólica: foi uma celebração da vida, da beleza e da responsabilidade coletiva.

E se preservar os oceanos é uma missão global, em Guarapari essa causa já encontrou quem a defenda debaixo d’água.

Mergulho em um dos naufrágios na cidade de Guarapari.

Reportagem especial do Portal27 em parceria com profissionais do mergulho e da biologia marinha do Espírito Santo.

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João Pedro Barbosa

Jornalista formado pela Universidade Federal do Espírito Santo.

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