Pesquisadores do Instituto O Canal registraram um recorde inédito durante um dia de monitoramento científico na costa capixaba: 96 baleias-jubarte foram avistadas ao longo de aproximadamente 10 horas de atividade no mar, na região de Guarapari. O número supera com folga o maior registro anterior, que contabilizava 65 indivíduos.
Segundo a bióloga marinha Bruna Rezende, coordenadora do projeto Amigos da Jubarte, o expressivo número de avistamentos reflete o aumento contínuo da população da espécie, impulsionado por ações de conservação iniciadas ainda na década de 1980, quando a caça às baleias foi proibida.

“Esse recorde é algo pontual, mas é fruto de um processo consistente. A população vem crescendo desde que medidas efetivas de proteção foram implementadas”, explica a bióloga.
As baleias avistadas pertencem à população A, que realiza uma migração anual entre a Antártica e o litoral brasileiro, onde ocorre o período reprodutivo. O maior número de animais próximos da costa, segundo Bruna, não representa uma mudança de comportamento ou rota migratória, mas sim a expansão natural da espécie.
O trabalho da equipe também inclui a coleta de dados para mapear áreas com maior risco de colisão entre embarcações e cetáceos. A sobreposição dessas informações com as rotas de navios comerciais tem o objetivo de subsidiar ações preventivas.
“O monitoramento nos permite identificar zonas de risco e propor medidas mitigatórias para evitar acidentes com as baleias”, destaca a pesquisadora.
Além da conservação científica, o turismo de observação responsável tem se mostrado um aliado importante na preservação das baleias. A prática, quando realizada com agências regulamentadas, contribui para a sensibilização do público e o fortalecimento da proteção ambiental.
Para quem deseja contribuir com a causa, Bruna orienta o apoio a projetos sérios, o incentivo ao turismo sustentável e a adoção de hábitos diários que ajudem na preservação dos oceanos. “Quando a gente cuida do nosso lixo e dá a destinação correta, está contribuindo diretamente com o ecossistema marinho. Tudo está conectado”, finaliza.
*Com informações do Instituto O Canal e Folha Vitória.











