Marquinhos Borges: o último diplomata de Guarapari

A partida de Marquinhos Borges deixa um vazio na política de Guarapari e, principalmente, no coração de todos aqueles que tiveram o privilégio de conviver com ele. Ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal por três mandatos, ele construiu sua trajetória pública muito mais pelo caráter e pela forma como tratava as pessoas do que pelos cargos que ocupou.

Em tempos em que a política muitas vezes é marcada por conflitos e radicalismos, Marquinhos escolheu o caminho do diálogo, da serenidade e do respeito. Nunca precisou elevar a voz para defender suas ideias. Nunca transformou diferenças políticas em questões pessoais. Sempre acreditou que a verdadeira política, escrita com “P” maiúsculo, era aquela feita para servir às pessoas, sem abrir mão da humanidade no caminho.

Homem de família, em diversos momentos abriu mão de interesses pessoais para estar ao lado daqueles que mais amava. Sua educação, sua diplomacia e a maneira gentil com que recebia cada pessoa fizeram dele uma referência dentro e fora da vida pública.

Conheci Marquinhos em 2004, quando eu dava os primeiros passos no jornalismo e ele presidia a Câmara Municipal. Desde então, passei a enxergá-lo como uma inspiração, não apenas como político, mas como ser humano. Aprendi, observando sua postura, que é possível ocupar espaços de poder sem abrir mão da humildade, do equilíbrio e do respeito ao próximo.

Só para se ter uma ideia da sua educação e da sua capacidade de conquistar as pessoas, vou contar uma pequena história que presenciei. Eu e ele estávamos conversando em frente à sede dos gabinetes dos vereadores. Acredito que era o ano de 2010, e Marquinhos ocupava a função de diretor da Câmara Municipal. Naquele momento, funcionários instalavam a placa de identificação do local quando um senhor se aproximou, bastante alterado, e começou a esbravejar contra a política e contra os vereadores.

Marquinhos ouviu atentamente cada palavra. Não interrompeu, não elevou a voz e nem reagiu com irritação. Esperou o homem terminar e, com a serenidade que lhe era característica, deu uma verdadeira aula de diplomacia, democracia, atitude republicana e respeito às pessoas e aos poderes constituídos.

Ao final da conversa, aquele senhor, que minutos antes estava tomado pela indignação, abraçou Marquinhos e foi embora sorridente, agradecido e, certamente, admirador daquele homem público que havia acabado de lhe mostrar que a política também pode ser construída com diálogo e respeito.

Esse era o nosso Marquinhos Borges: inesquecível e necessário para a política. Guarapari perde um homem público, mas fica o exemplo de alguém que transformou a gentileza em instrumento de liderança e a educação em marca registrada.

Por mais seres humanos como ele na vida pública. Algumas pessoas passam pela história deixando discursos. Marquinhos Borges deixa um legado.

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Wilcler Carvalho

Wilcler Carvalho Lopes formou-se em jornalismo pela Faesa em 2002. É pós-graduado em Letras: Português e Literatura pela FIJ em 2007. Trabalhou em jornais, rádios, TVs e assessorias de imprensa em órgãos públicos. É editor-chefe do Portal 27 e servidor público efetivo do setor de comunicação da prefeitura de Piúma desde 2012.

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