Moraes quebra o silêncio, nega diálogos com banqueiro e classifica apuração como “farsa montada”

Em petição de 44 páginas entregue ao STF antes do julgamento plenário, ministro acusa André Mendonça de violação da cadeia de custódia e uso político das apurações.

Após 15 dias em silêncio, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes entregou nesta terça-feira (15) sua peça de defesa ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin. No documento de 44 páginas, Moraes rebate ponto por ponto as suspeitas sobre sua suposta relação com o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmando ser alvo de uma “farsa montada” articulada por adversários políticos.

A manifestação ocorre no mesmo dia em que o plenário do STF se reúne, a partir das 10h, para decidir se abre um inquérito formal contra o magistrado ou se arquiva os procedimentos investigativos.

Contestação das Provas e Nulidade de Relatório

O pilar central da defesa de Moraes baseia-se na alegação de que nunca existiram mensagens diretas entre ele e o banqueiro. Segundo o ministro, anotações encontradas em “blocos de notas” e rascunhos no celular de Vorcaro foram indevidamente atribuídas a ele no relatório conduzido sob a relatoria do ministro André Mendonça.

  • Falta de Interlocução: O ministro reforçou que não há registro de envios ou visualizações de mensagens de sua autoria orientando o banqueiro ou prestando consultoria.

  • Êxito da Operação: Moraes destacou que a execução normal da Operação Compliance — na qual Vorcaro foi preso no Aeroporto de Cumbica portando seu próprio celular — comprova a inexistência de qualquer vazamento de informação privilegiada.

  • Nulidade Processual: A defesa argumenta que o relatório da Polícia Federal é “duplamente nulo”, alegando falta de competência da origem e quebra da cadeia de custódia ao manter cópia dos dados brutos dentro do gabinete do relator.

Acusações de Motivação Político-Eleitoral

Moraes direcionou duras críticas à condução do ministro André Mendonça, acusando-o de atuar como “investigador de ofício” à revelia do posicionamento da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O ministro defende que o momento da divulgação dos dados teve objetivo de “favorecer determinado grupo político nas eleições de outubro de 2026”, vinculando o vazamento das informações à véspera dos atos do 7 de Setembro. Como precedentes de irregularidade no manuseio do caso, a defesa citou a apuração contra o perito João Cláudio Nabas, investigado por criar arquivos isolados com citações a ministros do STF.

Resumo da Defesa de Alexandre de Moraes

Ponto de ControvérsiaTese da Defesa de Moraes
Troca de MensagensInexistente. Afirma que rascunhos do celular do investigado foram falsamente atribuídos a ele
Aviso sobre PrisãoRejeitado. Sustenta que a prisão de Vorcaro no aeroporto internacional prova ausência de vazamento
Cadeia de CustódiaComprometida pela requisição dos dados brutos ao gabinete do relator, sem aval da PGR
Motivação do CasoClassificada como “vingança política” de setores condenados por atos antidemocráticos
Pedido ao PlenárioAnulação do relatório da PF e arquivamento imediato dos procedimentos

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