Um pintor de 62 anos caiu no golpe do falso sequestro e ficou mais de 20 horas desaparecido. Os golpistas fizeram Aeson Santos ficar hospedado em um hotel e até comprar um celular novo.
O drama começou na tarde de ontem quando Aeson recebeu uma ligação enquanto voltava do horário de almoço. Ele estava trabalhando em uma obra em Vila Velha.

“Me ligaram e uma voz de mulher dizia: ‘papai, me ajuda, me ajuda’. Nesse momento eu tive certeza que era a voz de minha filha e comecei a ficar preocupado. Depois um homem pegou o telefone e disse que estavam com minha filha, mas que não iam machucar ela se eu fosse em uma lotérica e depositasse R$ 1,5 mil para eles”, contou o pintor.
Aeson saiu desesperado da obra e com os golpistas ainda na linha, foi até uma casa lotérica, mas não conseguiu sacar o dinheiro, pois só estava com a identidade. No meio da conversa a “vítima” disse que o cartão estava na casa dele em Guarapari e os criminosos mandaram ele ir para lá.
“Eu entrei em um táxi e fui até minha casa em Guarapari. Peguei as chaves do carro e o cartão do banco e fui para uma lotérica. Minha esposa perguntou o que estava acontecendo, mas falei com ela que estava tudo bem”, disse o pintor.

Ainda pensando que a filha estava em poder dos golpistas, Aeson deixou o carro no subsolo de um centro comercial em Muquiçaba e sacou R$ 1,4 em uma lotérica ali mesmo. Como não era possível fazer depósitos naquele valor, ele foi à pé até outra lotérica, que fica também no bairro Muquiçaba e incluindo mais R$ 100, depositou em uma conta R$ 1,5 mil. Mas os criminosos não ficaram satisfeitos.
“Eles falavam que queriam mais R$ 10 mil e me mandaram procurar um hotel para passar a noite. Antes me mandaram comprar um celular novo pois aquele estava sendo rastreado pela polícia”, contou.
De cinco em cinco minutos os criminosos ligavam para a vítima, não dando chance dela fazer nenhuma ligação para outras pessoas. Quando a bateria do celular dele estava para descarregar completamente ele ainda estava na rua e eles mandaram a vítima procurar uma loja e pedir para dar uma carga no celular. “Uma moça me emprestou um carregador e depois que eu estava saindo ela me perguntou se eu estava bem. Disse que sim e saí”, relembra.

O pintor conta que dormiu sentado no hotel. “Eles me ligavam a todo o momento e como eu estava com medo do celular descarregar, sentei em uma cadeira ao lado da tomada e dava cochilos rápidos até que eles ligavam e me acordavam”, contou Aeson.
Pela manhã Aeson foi visto dentro de uma agência da Caixa Econômica no Centro de Guarapari pela mesma mulher que tinha emprestado o carregador para ele na tarde anterior. Ela ligou para a família, já que o desaparecimento dele já havia sido divulgado na internet.
O genro de Aeson foi até o local e verificou que era mesmo ele e parou dois policiais militares que passavam de moto no momento. “Nós não sabíamos se tinha alguém com ele no banco e ficamos com receio de chegar perto. Pouco depois, policiais civis que também já acompanhavam o caso chegaram e abordaram ele dentro da agência”, contou Carlos Guimarães, 34 anos.

“Mesmo os policiais dizendo que era um golpe e que minha filha estava bem, eu não acreditava. Eu tinha tanta certeza de que era a voz de minha filha que nada tirava da minha cabeça que eles iam machucar ela”, disse emocionado o pintor.
Só na delegacia foi que Aeson ficou mais calmo e entendeu que tinha sido vítima de um golpe. Já em casa com as três filhas e a esposa, Aeson relembra dos momentos de pânico que passou.
“Passava muita coisa em minha cabeça. A todo momento eu pensava que tinha que fazer o que eles diziam para que não machucassem minha filha. Era só o que eu pensava”, disse com os olhos marejados.
Em casa, a família pensava que ele tinha sido sequestrado. “Achamos que ele tinha sido sequestrado e que devia estar no porta malas de um carro rodando pela cidade”, finalizou o genro de Aeson.
Polícia Civil
O delegado titular da Delegacia de Crimes contra o Patrimônio de Guarapari, Tarsis Morais Gondim, disse que estes golpes são muito comuns e que a vítima deve ficar atenta a alguns detalhes, como por exemplo:
– Tentar entrar em contato com os familiares assim que receber a ligação;
– Inventar um nome para o suposto filho sequestrado e ver se os golpistas confirmam;
– E procurar a polícia imediatamente depois de receber este tipo de ligação.











