As pessoas em situação de rua vivem a margem da sociedade, mas na tarde deste sábado (16) elas foram o centro das atenções do Projeto Banho da Vida, realizado na Praça dos Golfinhos, localizada entre os bairros Muquiçaba e Praia do Morro.

O projeto oferece banho, roupas limpas, corte de cabelo, barba, maquiagem, aferição da pressão arterial e da glicemia, curativos, água e lanche para as pessoas em situação de rua. A iniciativa é da Agência Missionária Ação Resgate (AMAR), de Rio das Ostras- Rio de Janeiro, e contou com o apoio do Projeto Ação e Resgate – que faz parte da AMAR e atua em Guarapari oferecendo alimentos e ajuda para que as pessoas voltem as cidades de origem – e da Secretaria de Trabalho, Assistência e Cidadania (Setac).
O presidente da AMAR, Denis Oliveira Calazans explicou que o Banho da Vida é realizado por voluntários de várias religiões há um ano em Cabo Frio, Macaé, e Rio das Ostras. Ele contou que as pessoas em situação de rua foram avisadas do projeto anteriormente e que elas tomam a iniciativa de participar.
“O banho acontece em banheiro móvel. Nós temos um gerador de energia que alimenta uma bomba hidráulica e temos uma caixa d’água de mil litros que joga água nos dois chuveiros, um no banheiro masculino e o outro no feminino. Nós também temos um aquecedor e quando está frio eles tomam banho quente”, explica Denis.

Além dos cuidados com a aparência e o alimento, elas ainda recebem ajuda para tratar vícios. “A gente faz a oração para quem pede e aquele que quer ir para a casa de recuperação a gente também encaminha para o tratamento da dependência química”, disse o presidente da AMAR.
O coordenador do Projeto Ação Resgate, Marcus Ely Vaillante afirmou que está é a primeira vez que a ação é realizada na cidade, mas que a partir de agora deve acontecer a cada dois meses, aos sábados a partir das 14h, no mesmo local. Segundo ele, a expectativa é atender pelo menos 30 pessoas na tarde de hoje.
“A essência dessa ação não é só oferecer um banho de dignidade as pessoas em situação de rua, mas é mostrar para eles que também são amados. A gente consegue compartilhar o amor de Cristo e a partir desse amor eles percebem que tem pessoas que de alguma forma se importam com eles também. Então esperamos que essa importância que elas tem para a sociedade se transforme em restauração de vida. Que elas tenham a vida transformada por esse amor que a gente aprende a compartilhar em uma ação dessas”, disse Marcus.

Uma das pessoas que procurou o projeto foi o Sirlon Moraes Santos, de 50 anos. Ele é da Bahia, já morou em Anchieta e está há quatro meses morando em Guarapari. Sirlon relatou que foi morar nas ruas por conta da dependência química e que estava na expectativa desde ontem para participar do projeto. “Isso aqui é uma maravilha. Estava esperando para fazer um corte de cabelo, a barba e tomar um banho”.

O Júlio Márcio, de 43 anos, mora na rua há 17 anos. Ele contou está em Guarapari há um mês e já participou de inúmeras edições do projeto em outras cidades.
Júlio afirmou que veio do Rio de Janeiro e foi parar nas ruas após tirar a vida de um homem que estuprou sua filha. “Fui obrigado a matá-lo porque estuprou minha filha. Fiquei um ano e seis meses preso e não devo mais nada para a justiça. Quando saí voltei para minha casa e fiquei um bom tempo. Minha esposa faleceu e criei meus filhos, mas depois peguei o mundão. O maior sonho da minha vida é arrumar um emprego e ter minha família de volta para viver minha vida. Sou pintor de prédios e mexo com gesso e espero que alguém possa me ajudar”.
Já a Regina Timóteo Paulino, de 36 anos, participou do projeto pela primeira vez e veio em busca de algo em especial. “Vim tomar um banho. Tomo na Praia da Cerca, mas a gente que é mulher precisa dar uma higiene. Estou desde cedo aqui. Fiz até minha comida ali e fiquei aqui esperando”.
Ela contou que veio de São Paulo e está em Guarapari há um mês. Regina não quis revelar porque foi morar nas ruas, mas disse que tinha casa e família e há dez anos sua vida mudou. Ela afirmou que ações solidárias como essa são de extrema importância para que vive na rua.

“A gente costuma falar que as pessoas que fazem esse tipo de coisa são os anjos da rua. Sem eles a gente não vive. Eles são os únicos que dão oportunidades para a gente. É muito importante até um copo de água que eles passam na madrugada dando. Um café com pão ajuda muito porque tem dia que não temos um pão para comer e na hora que a gente mais precisa eles aparecem”, disse Regina.











