Há muitas definições para o que é paz e há muita necessidade dela! Nossos estadistas construíram conchavos que rotularam de “paz”, em cuja essência esconde propósitos comerciais ou vantagens de exploração de recursos naturais ou dividendos tecnológicos. Nossa boa vivência define paz como calma interior, tranqüilidade, ausência de violência e tantas outras coisas que no fim, significam apenas nossa total proteção e segurança.

Na prática nossa compreensão de paz é voltada a nós mesmos. Todos nós sob o mesmo céu temos o mesmo problema todos os dias – nosso mundo está em sua maior, mais ampla e destrutiva guerra. As pessoas se matam por uma devotada fé extremista, brigam por uma cor de pele, se agridem por opção sexual e se confrontam por porciúnculas de terra. Todos cercados por seu achismo de direito, não se entendem em nada e prejudicam a cada dia nossa nublada visão de paz.

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A introdução pressupôs um arranjo de “paz” mantida por interesses, um disfarce de bem comum, mais conveniente a preferências e necessidades de apenas um lado. É por isso que pessoas morrem todos os dias, não de forma natural e sim pelas assustadoras manifestações da crueldade e da falta de bons sentimentos humanos – não há paz por essa razão! A paz não virá só por obrigação do Estado, porque os poderes legalmente constituídos não são uma pessoa, e o sentido e efeitos da paz são compreendidos e desenvolvidos por pessoas – o Estado apenas garante essas premissas.

O problema é que temos circunscrito a paz a uma institucionalização estatal, e isso até que em acordos diplomáticos, decretos e leis funciona bem no papel, mas a realidade da paz só pode ter resultados efetivos aos outros se sua interiorização em cada ser humano for real. A paz poderá até ser uma experiência de vida, mas antes, por certo deverá ser um estado de espírito, uma emanação do bem em nossa natureza medíocre, egoísta e unilateral.

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A construção e manutenção da paz começam a princípio em nós, depois por meio de nós. A questão é que “paz” não é produto de competências agregadas, é feita de sentimentos em exercício pelos outros, de modo que paz não é conceito, é obra prática. Fazer o bem é construir a paz, é erguê-la com tijolos de diálogo, com argamassa da compreensão e sobre as bases de aceitação ao diferente.

Vislumbramos uma paz sob nossa ótica, sob nosso controle e opinião – isso nunca será paz, continuará a ser os engodos de uma natureza centrista, dominadora e interesseira. Pragmaticamente, qualquer descrita sensibilidade que por vias da experiência não puder ser comprovada ou vivida, será outra coisa menos sentimento.

Partindo do princípio que a paz é também uma harmoniosa condição de relação entre seres humanos, não posso encerrar esse texto sem aludir à apresentação bíblica da paz. Nas Escrituras a paz procede de Deus, é fruto de uma relação com seu Espírito e tem como mantenedor de seu sentido, Cristo Jesus, o Príncipe da Paz.

Compartilho com uma palavra do apóstolo Paulo aos Filipenses 4:7. “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus”. É esta paz que precisa morar em nossos corações e assim mudaremos o mundo de todas as pessoas que travarem contato ou convivência conosco. Desejo a todos uma ótima semana!

Por Silvio Costa

SilvioSilvio Costa é profissional da área de hotelaria, administrador e gerente geral de um destacado hotel do ES. Por paixão estudou teologia e começou escrever e a publicar textos sobre o universo cristão num blog. Atualmente escreve para revistas e grandes portais religiosos do país.

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