Artesãs de trança tererê que trabalham na Praia do Morro procuraram o Portal 27 para reclamar da falta de espaço para trabalho. Elas alegam que o espaço destinado à elas restringe-se às areias da praia e não há público nas areias da praia para ser atendido à noite.

Uma das artesãs que não quis se identificar afirmou que trabalha com tererê há 23 anos e que agora está passando por “perseguições”, pois a prefeitura proibiu o trabalho no calçadão. Ela reclama que enquanto muitos ambulantes que vêm de outra cidade sem ter licença para trabalhar não são fiscalizados, a fiscalização age sobre as vendedoras de tererê, quando elas estão atuando no calçadão.

Trança tererê feita na Praia do Morro – imagem de divulgação

“Na verdade eu estou muito indignada com a situação da nossa cidade, porque a gente que é daqui de Guarapari deixa o dinheiro todo aqui. Eu pago tudo com dinheiro de praia, meu dinheiro fica aqui. Acabam perseguindo a gente que é aqui da cidade, porque eles sabem onde encontrar gente”, desabafou a artesã que também levantou o questionamento “como é que eu vou vender tererê na areia 8 horas a noite? Tererê é uma trancinha que faz no cabelo, tem que estar com o cabelo limpo. Como que eu vou vender isso de dia? Eu passo o dia todo aqui na praia para vender um muito pouco, meu lucro maior é a noite e eu não posso trabalhar no calçadão, porque os fiscais não deixam, porque é norma da prefeitura que não quer ninguém no calçadão”, afirmou a vendedora de tererê.

A artesã chama atenção para outras cidades no Brasil onde o tererê é também uma arte e onde não existe tal regulamento. “Toda cidade do Brasil existem pessoas que vendem artesanato, tererê, artesanato de concha, artesanato de de linha entendeu, e a gente não tem espaço aqui em Guarapari”, desabafou a moça que gostaria de uma reunião junto à administração municipal para discutir o assunto.

Trança tererê – imagem de divulgação

“É policial pegando o braço da gente, fazendo ignorância com a gente, a gente tem que sair correndo para esconder as coisas. Isso não é digno e o meu trabalho é digno, eu acabo ficando envergonhada, porque eu trabalho há 23 anos com tererê aqui na praia e não posso trabalhar e outra a cidade.  Na Bahia as baianas todas mexem com tererê. É lindo, a gente faz as coisas direitinho eu tenho uma placa, a gente paga a licença tão cara e a gente não tem direito a nada”, reclamou a ambulante afirmando que nem mesmo sua placa de propaganda pode deixar exposta. “Como é que eu vou anunciar que ali vende tererê se até minhas placas os fiscais tiraram?”, questiona a artesã afirmando que “a maioria das meninas tem carteirinha de artesão que é válido nacionalmente”, que elas possuem licença para trabalho, mas que precisam também de um espaço apropriado onde possam atender seus clientes com os cabelos limpos.

Resposta. Procuramos a Prefeitura Municipal de Guarapari para entender a questão e obtivemos a seguinte resposta: “A Secretaria Municipal de Postura e Trânsito (Septran) informa que a equipe de fiscalização não atua de forma arbitrária e abusiva, inclusive quando é constatado que a pessoa está trabalhando sem licenciamento, os fiscais fazem primeiro uma notificação verbal, para que se retirem e recolham o material que está sendo vendido sem licença. O município possui um cadastro de pessoas licenciadas, que participaram do processo de chamamento. Estes no ato da solicitação de licenciamento assinam um termo de conhecimento das nomas, que diz que o tererê só pode ser realizado na areia da praia. Tal regra consta no edital de chamamento e no diário oficial”. 

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