Notícias estão sendo compartilhadas nesse momento de sensação de insegurança social. O problema é que a maior parte dos leitores interpretar notícia com base na manchete e não no fato. E esse é o principal fato que quero abordar.

De um lado uma corporação que busca o apoio da sociedade. Do outro lado um Governo que busca manter o apoio da sociedade. No meio dessa batalha estamos nós, a sociedade. Na sexta feira a manchete era: Mulheres de policiais lutam por melhores salários para seus maridos.

Essa manchete encontrou grande apoio na sociedade. No sábado a manchete era: Insegurança nas ruas, policiais impedidos de sair dos batalhões. Essa iniciou um movimento que questionava a paralisação, já entendida por muitos como uma greve disfarçada de movimento familiar.

Marcelo Paranhos, jornalista

No domingo, na hora do almoço, a manchete era: Policiais usam familiares para disfarçar greve e população fica desprotegida. No domingo, na hora do jantar, a manchete era: Assaltos, Mortes e arrastões. Não saiam de casa Essa manchete provocava uma debandada nas redes sociais. As pessoas que, 48 horas antes, apoiavam incondicionalmente os policiais e seus familiares começavam a se posicionar contra o movimento.

É fato que os policiais são muito mal remunerados e tem todo o direito de se manifestar. Mas não podem promover a histeria coletiva como forma de pressionar o Governo. E também é fato que o Governo, por sua vez, não pode usar a histeria coletiva para pressionar os manifestantes. E o povo? Coitado do povo.

Marcelo Paranhos
Jornalista e professor de Comunicação

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