A Comissão de Agricultura e Meio Ambiente da Câmara Municipal vai entrar na justiça contra o corte das duas castanheiras, localizadas no final da orla da Praia do Morro, para a construção do Centro Turístico e Cultural. A decisão foi tomada na noite desta quarta-feira (21) após a reunião pública realizada na Casa de Leis em que as secretárias de Análise e Aprovação de Projetos, Milena Ferrari, e de Agricultura e Meio Ambiente, Thereza Christina Barros, foram convocadas para dar explicações sobre os projetos de reurbanização da Praia do Morro e Prainha de Muquiçaba, já que não compareceram na primeira reunião. Na ocasião, elas reafirmaram que as árvores precisam ser retiradas.

A secretária de Agricultura e Meio Ambiente, Thereza Christina, afirmou que se as castanheiras não forem retiradas agora, serão cortadas após a conclusão do Plano de Manejo. Foto Rafaela Patrício

O relator da Comissão, vereador Marcos Grijó lembrou que a retirada das árvores não foi discutida pela prefeitura com a sociedade e afirmou que agora a Comissão vai entrar na justiça. “Fizemos duas reuniões e agora vamos fazer os encaminhamentos para tentar sensibilizar o Poder Executivo através do abaixo-assinado feito pela comunidade e dos documentos elaborados nas reuniões. Também vamos encaminhar ao Ministério Público, que é o guardião da Lei”.

Apesar da reunião não ter impedido a retirada das árvores, o presidente da Comissão, vereador Thiago Paterlini, fez um balanço positivo. “Valeu muito a pena. Foram muitas dúvidas esclarecidas não só dos vereadores como da sociedade. A decisão é do prefeito e ele não precisa de autorização do parlamento para isto. Mas vamos encaminhar o pedido da sociedade ao Executivo. A secretária não deu uma resposta clara sobre a retirada então significa que haverá a possibilidade delas não serem retiradas”.

A secretária Thereza Christina afirmou que não compareceu a primeira reunião porque estava de férias e não recebeu o convite, mas que já procurou saber com seus funcionários quem recebeu e não a informou. Ela também explicou que o Parque Municipal Morro da Pescaria foi criado há 10 anos e não tem Plano de Manejo, mas que o mesmo está sendo elaborado agora e prevê a retirada das árvores. “Estamos elaborando um plano de manejo do Parque Municipal Morro da Pescaria, que é regido por um Sistema Nacional de Unidade de Conservação (SNUC). Ele diz que tanto dentro do parque como na área de entorno não podemos ter espécies introduzidas e a castanheira é uma delas. Se não for agora, elas vão ser retiradas após o Plano de Manejo”.

O biólogo do Morro da Pescaria, Rivelino Galvão, reforçou a necessidade da retirada das castanheiras. Foto: Rafaela Patrício

O biólogo do parque, Rivelino Galvão, reforçou a necessidade do corte não só das duas castanheiras como das outras 17 que estão crescendo dentro da reserva e apresentou outras duas espécies invasoras que existem no local. “A castanheira faz mal para a unidade de preservação. Não que ela faz mal para o município, mas em determinadas situações o corte de árvore é necessário”, disse o biólogo.

A vice-presidente da Associação de Moradores da Praia do Morro, Suely Mello, lamentou que as reuniões não tenham impedido a retirada das castanheiras. “Essa notícia devastou a gente. Tem um grupo da terceira idade que faz ginástica lá e isso é muito triste. Eles falam que ela é invasora e cria problemas para a biodiversidade para o parque. Nós entendemos isso, porém, que arranquem a que já estão no parque. Mas já que é causa perdida gostaríamos que houvesse o plantio de mudas para embelezar e refrescar o meio ambiente”.

Ela também afirmou que a Associação de Moradores deve entrar com uma ação cobrando o plantio de novas árvores. “Da mesma maneira que protocolamos um pedido no Ministério Público para a não retirada vou conversar com a presidente da associação para pedir o replantio de outro tipo de árvore que seja condizente e não cause problemas futuros”, disse Suely.

Segundo a secretária Thereza Christina, a retirada da castanheira da Prainha de Muquiçaba foi um pedido da Associação de Moradores e está aprovada pelo IDAF. Foto: Rafaela Patrício

Castanheiras da Prainha. A secretária Thereza Christina também revelou que o corte da castanheira da Prainha de Muquiçaba foi um pedido dos moradores. “Recebemos um abaixo-assinado da Associação de Moradores da Prainha de Muquiçaba solicitando a retirada. Foi dado entrada em 2014 e hoje temos prejuízos enormes de esgotos e raízes das árvores danificando casas. Temos a autorização do IDAF e( Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo) todos os pareceres dizendo quais as árvores têm que ser retiradas”.

Projetos. As arquitetas Juliana Breda e Luciene Nunes apresentaram os projetos do Centro Turístico e da reurbanização da Orla da Prainha. Segundo Juliana, a transferência da Central de Videomonitoramento para o Centro Turístico não trará grandes custos para o município. “O nosso funcionário responsável pela tecnologia da informação falou que não haverá necessidade de realocar a antena do videomonitoramento porque a transmissão é por fibra ótica”.

Ela também falou sobre a manutenção do elevador do banheiro da Orla da Prainha. “Ele é especial para os deficientes físicos para haver acessibilidade, portanto será pouco usado e não terá muita necessidade de manutenção constante”.

Ciac. De acordo com a arquiteta, com a transferência da 10ª Cia da Polícia Militar para o Centro Turístico e Cultural, a atual estrutura do Ciac será desmontada e ainda não existe um projeto para reaproveitá-la.

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