Um estudo realizado pelo Datafolha com mais de 2.060 pessoas, de 130 municípios diferentes, apontou que o câncer é a doença que mais amedronta os brasileiros (65%). Anualmente, cerca de 190 mil pessoas morrem no País vítimas dele, e dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) preveem mais de 600 mil novos casos entre 2016 e 2017.

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Pesquisa do Datafolha revelou que 65% dos brasileiros têm medo de tumores.

O rádio-oncologista Persio Freitas, do Instituto de Radioterapia Vitória (IRV), explica que o medo vem de uma associação intuitiva desse mal com a morte. “No passado, o câncer era uma doença fatal na maioria dos casos, pois o descobriam tardiamente. As pessoas tinham menos acesso à informação do que hoje, o que prejudicava a conscientização sobre a necessidade de se cuidar e de fazer exames preventivos”, afirma o médico.

Entre as mulheres, o tipo de câncer mais incidente é o de mama, correspondendo a 28,1% dos casos, de acordo com o Inca. Já nos homens, o mais frequente é o de próstata, responsável por 28,6% dos registros no Brasil (sem considerar os tumores de pele não melanoma, que são os mais recorrentes em ambos os sexos). E foi no universo feminino que o temor à doença predominou, com 68% das respostas.

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Persio Freitas acrescenta que a pessoa com câncer enfrenta situações que podem fazê-la sofrer por um longo período.

Persio Freitas acrescenta que a pessoa com câncer enfrenta situações que podem fazê-la sofrer por um longo período e impactar emocionalmente a família e os amigos, o que também justificaria o alto índice de medo.

Homens pensam mais no coração

Em segundo lugar na pesquisa “Hábitos de saúde do brasileiro”, encomendada pela companhia biofarmacêutica AbbVie, está o medo das doenças cardiovasculares (21%), preocupação três vezes menor em relação à primeira e mais presente entre os homens (23%).

Para o cardiologista Marcos Vescovi, do Hospital Metropolitano, as pessoas temem menos as doenças cardíacas porque é mais fácil conviver com elas. “Diferentemente de quem descobre um câncer, aquele que é acometido por um infarto tem grandes chances de levar uma vida normal alguns dias após o ocorrido, se receber o tratamento adequado a tempo”, observa Vescovi. Citados por 8% dos entrevistados, a incapacidade física e os reumatismos ficaram em terceiro.