Pela primeira vez um veículo autônomo brasileiro trafega em vias urbanas e em rodovias sem intervenção humana. O trajeto de 74 quilômetros entre o campus de Goiabeiras, em Vitória, e a praia de Meaípe, em Guarapari, foi feito pelo carro autônomo da Ufes, na noite de 12 para 13 de maio. Desenvolvido pelos pesquisadores do Laboratório de Computação de Alto Desempenho (Lcad) da Ufes, o carro foi batizado de Iara (Intelligent Autonomous Robotic Automobile), e as pesquisas tiveram início em 2009.

A viagem aconteceu na noite do dia 12 para 13 de maio e o carro percorreu de Goiabeiras, em Vitória, até Meaípe.

Em maio de 2014 o Iara passou pelo seu primeiro teste de maior fôlego, chamado de “Volta da Ufes. O carro percorreu os 3,8 Km do anel viário que circunda o campus de Goiabeiras sem interferência humana. A segunda etapa de trajeto mais longo prevista era ir até Guarapari, um trecho que o veículo acabou por percorrer em 105 minutos, a uma velocidade média de 42 quilômetros por hora.

Segundo o coordenador do projeto, professor Alberto Ferreira de Souza a viagem é uma conquista histórica para a pesquisa na Ufes e para o avanço da corrida pelo desenvolvimento do carro autônomo no Brasil e no mundo.

“Poucos carros autônomos no mundo estão rodando em vias urbanas e rodovias. No Brasil, além da Ufes, existem pesquisas nessa área em universidades de São Paulo e de Minas Gerais, mas nosso carro apresentou uma autonomia inédita, sendo o primeiro a trafegar em vias públicas e percorrendo três municípios ”, afirmou o professor.

Ferreira afirmou ainda que, durante toda a viagem, iniciada às 00h25 da madrugada de 13 de maio, havia um motorista dentro do veículo, pronto para assumir a direção caso ocorresse alguma intercorrência. Isso foi necessário, por exemplo, quando o veículo se deparou com semáforos no modo amarelo piscante, programado em alguns cruzamentos após a meia-noite. “Como não havíamos programado o carro para este modo de semáforo, nestes casos o motorista assumiu o controle”, explicou.

Em um comparativo com demais instituições internacionais que estão desenvolvendo estudos  semelhantes, em relação a dados de 2016, a viagem posicionaria a Ufes em 8º lugar no quesito intervenção humana, estando à frente de empresas como Mercedes e Bosch. A média de intervenções do IARA é de necessidade de apenas um toque ao volante a cada quatro quilômetros percorridos.

“Apesar das dificuldades que estamos enfrentando, assim como todas as universidades públicas brasileiras, estamos conseguindo manter nossas pesquisas e alcançar resultados como este. Temos vários grupos em nossa Universidade que se dedicam à produção do conhecimento e que estão trazendo resultados relevantes para a sociedade”, destacou o reitor Reinaldo Centoducatte.

A equipe do Lcad é composta por professores, doutorandos, mestrandos e estudantes de graduação dos cursos de Ciências da Computação, Engenharia da Computação, Engenharia Elétrica e Informática.

Funcionamento do cérebro. Em entrevista coletiva realizada na manhã desta quarta-feira, 24, o professor Alberto Ferreira destacou que o objetivo maior da pesquisa é compreender o funcionamento do cérebro humano, mais precisamente o sentido da visão, por meio do desenvolvimento de modelos matemáticos e computacionais que simulem os sistemas neurais que controlam a visão humana.

“O Iara é uma plataforma de estudos sobre a cognição visual. Desenvolvemos um sistema que é capaz de mapear, definir e redefinir rotas, como fazemos quando estamos dirigindo. E escolhemos um carro porque, para dirigirmos, precisamos usar um conjunto de sentidos”, explicou.

O projeto contou com um financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo (Fapes), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Com informações da UFES.

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