Na política brasileira não falta conspiração. Sintomaticamente a maioria dessas conspirações surgem para preservar ou criar situações autoritárias, apresentando, como justificativa, o combate ao perigo comunista. Os conspiradores apresentam-se à nação como sendo democratas: enquanto agridem os direitos humanos e as liberdades civis, proclamam-se defensores da ordem jurídica.

getúlio vargasSobretudo, uma das mais famosas conspirações da política brasileira do século passado começou com a farsa do plano Cohen, em 1937. Segundo esse plano, que – de fato – nunca existiu, forjado por um militar do alto escalão, os comunistas preparavam um banho de sangue: matariam personalidades políticas e incendiariam igrejas. O falso plano serviu de pretexto para Getúlio Vargas prorrogar o estado de sítio e à sobrevivência da ditadura, inaugurando o Estado Novo. Em nome da salvação de inocentes, que os comunistas assassinaram, e para defender as igrejas do incêndio ateu, o ditador, apoiado pelo Exército, prendeu torturou e matou.

Não se trata de exagero recuar ao ano de 1937 para falar das conspirações contra o governo daqueles dias. Verdade é que a conspiração é praticamente uma só, com as mesmas forças lutando para manter seus privilégios. Seja ela consciente ou mesmo inconsciente.

Não somos apologetas do atual governo Dilma. No entanto, não vivemos uma utopia política. Claramente percebemos que o governo não é bom em governar e não somente. Isso é visto cristalinamente. Mas, precisamos entender que o regime que nos rege não é democrático. Aliás nunca o foi. Jamais passamos por um regime democrático. Nós nos utilizamos da democracia para promover a República. (…) e diga-se de passagem, o nome da nação brasileira não é “Brasil”. É “República Federativa do Brasil”.

urnaeletronicaÉ simples compreender. Quando escolhemos pessoas para nos representar e não acompanhamos essa gestão, isso é república. E quando escolhemos pessoas para nos representar e acompanhamos essa gestão, isso é democracia.

A verdade é que votamos e, pós voto, voltamos para nossas vidas e viramos as costas para aqueles que nós elegemos, somente voltando a nos preocupar, caso surja algo grandioso que não concordamos ou quando chega a data da nova eleição.

A conjugação infeliz de vários fatores, como economia ruim, política ruim, vida social ruim, ideologia ruim e não interesse pelo andar e condução da vida pública, etc, tende a nos levar a reflexão sobre se efetivamente somos uma democracia (como dizemos ser) ou se somos uma república.

Cabe duas perguntas. Será que todo esse processo é resultado de um longo período de apodrecimento de nossa política, antes de apodrecer ou porque votamos e voltamos para casa, quando deveríamos voltar para as câmaras?

SérgioKleberson Sergio de Andrade. Pastor Batista, professor de Filosofia, Sociologia, Teologia, Ética e Cidadania, bacharel em Teologia, pós graduado em Ética, Filosofia, Educação, docência do Ensino Superior, Capelania Hospitalar, licenciado em Filosofia e Sociologia e acadêmico de Psicanálise.

Deixe seu comentário