Não vejo crise alguma enquanto as pessoas reclamarem em pagar R$ 3,99 num litro de gasolina ou mesmo R$ 0,40 num pãozinho francês, mas, se calam e emudecem inteiramente ao pagarem R$ 6,00 numa lata de cerveja, R$ 7,50 numa carteira de cigarro, R$ 1.500,00 ou mais que isso para assistir uma partida de futebol, R$ 450,00 para verem um show de Wesley Sadadão (ou outra atração), R$ 50,00 para passarem a noite nas orgias carnais de uma boate, R$ 250,00 para transarem com uma prostituta(o), R$ 800,00 num tênis da nike, R$ 20,00 para darem um trago num centímetro de maconha, R$ 55.000,00 num Corolla de segunda mão (quando no exterior o mesmo carro novo custa a metade do preço de um usado aqui no Brasil).

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As pessoas pagam R$ 55.000,00 num Corolla de segunda mão (quando no exterior o mesmo carro novo custa a metade do preço de um usado aqui no Brasil).

Tem horas que não consigo achar a crise em lugar algum, com todo esse gasto pródigo naquilo que não é pão, numa época visível de uma contenção financeira cavalal e sem precedentes nessa geração. A sociedade precisa mesmo é perceber que a crise institucional, financeira e econômica que sofremos, não é maior do que a crise moral e ética que amarga. Falas como essas podem funcionar como um farol, que nos ajuda a encontrar terra firme.

Já não se fala mais da crise como uma possibilidade. Mas, como uma realidade inconteste. Pois, como se pode perceber, não precisa ser nauta para ver que estamos à deriva, numa tempestade que, infelizmente, nem todos conseguem ver, mesmo estando em seu epicentro. A título de sugestão, deixo este link http://gppaschoal.jusbrasil.com.br/artigos/211105002/cade-a-crise para a fomentação do tema por parte do leitor, onde se inicia perguntando: “Cadê a crise?”.

Encerro minha fala dessa semana com o precioso texto “Apesar da crise”, de Pablo Villaça, onde, peneiradas as palavras, pode-se retirar algumas boas verdades.

“Uma coisa é dizer que o país está em situação maravilhosa, pois não está; outra coisa é inventar um caos que não corresponde à realidade […] o país enfrenta problemas sérios, mas está longe de viver “em crise”.  Como disse, a crise é de caráter. E, infelizmente, este não é vendido nas prateleiras dos supermercados.”

Quem nos dera estar fantasiando!

Kleberson Sergio de Andrade Kleberson Sergio de Andrade

É pernambucano, natural da cidade de Jaboatão dos Guararapes, residente em Guarapari há 14 anos, casado com a pedagoga e professora, Clause Miranda Quirino de Andrade, com quem tem um filho de seis anos (Hugo Adriel). É pastor batista, teólogo, pedagogo, educador/professor de filosofia, sociologia, política, legislação, ética e cidadania; pós-graduado em ética, filosofia, educação, docência do ensino superior, capelania hospitalar, gestão escolar com habilitação em administração, supervisão, orientação e inspeção, licenciado em filosofia e sociologia e acadêmico do curso de psicanálise.