Assustador! Esse é o adjetivo que encontramos para resumir a quantidade enorme de moradores de rua e de garotas e garotos de programa na cidade de Guarapari, sobretudo, à noite. Quem nunca se submeteu a experiência de andar nas vielas, becos, avenidas etc., de Guarapari durante a madrugada, precisa se dar a conhecer a esse universo paralelo ao nosso mundo interno.

São homens e mulheres, na maioria jovens, envolvidos no submundo da marginalidade social.

O cenário que se descortina diante de nossos olhos com sua triste realidade é de causar um tremendo pavor e calafrio na alma. São homens e mulheres, na maioria jovens, envolvidos no submundo da marginalidade social. Não são poucos. Acredite! Naturalmente que isso não acontecesse somente conosco. Políticas públicas paliativas, ou mesmo a inexistência de ações do governo, contribuem para a manutenção da população em situação de rua no Brasil. A existência de uma cracolândia em cada município brasileiro denuncia isso cabalmente.

Ocupando lugares desertos e de pouca iluminação, propícios a ocorrer atos violentos sem testemunhas, estas pessoas, na maioria das vezes vivem agrupadas para o caso de uma eventualidade. Aproximadamente a partir das 23h, quando as trevas caem, a cidade saúde se transforma na cidade desprezo. É duro e penoso de ver nas calçadas, marquises, fachadas etc., muitas vezes sob a penumbra, inúmeros jovens (homens e mulheres) desfilando nas esquinas cruéis como se fossem estrelas de um grande espetáculo.

Seus serviços, que consistem conceitualmente no comércio sexual com retribuição monetária e indiferença pessoal, são solicitados na maioria das vezes por pessoas entre 25 e 60 anos. Além de conviverem com o desprezo e discriminação da sociedade, as chamadas “prostitutas e garotos e garotas de programa”, são homens e mulheres sujeitos a agressões de todo tipo. Assim, rapidamente se pode montar uma parte do palco da madrugada viva de Guarapari.

O passaporte para a permanência e a circulação dessas vidas perambulando, se prostituindo, se drogando e vivendo como um porco largado no lamaçal do curral social das ruas, na maioria esmagadora das vezes acontece devido a fatores psicológicos e sociais. Algum trauma de infância, mais precisamente violência doméstica, a família desestruturada, a ausência de vínculos familiares, o enorme desemprego, as precipitações pessoais, desapontamentos, desilusões, perda da autoestima, alcoolismo, uso de drogas, doença mental, entre outros fatores e elementos.

Rapidamente se pode montar uma parte do palco da madrugada viva de Guarapari.

O preconceito da sociedade certamente que contribui – e muito – para a ampliação da exclusão social. A forma como a própria coletividade, de modo geral, estereotipa essas pessoas é algo completamente relacionado ao campo da moral. Composto por pessoas com diferentes realidades, mas que têm em comum a condição de pobreza absoluta, vínculos interrompidos ou fragilizados e falta de habitação convencional regular, sendo compelido a utilizar a rua como espaço de moradia e sustento, por contingência temporária ou de forma permanente, a última coisa que essa turma precisa é de nossa repulsa.

Como abordamos, ainda que brevemente, a ineficácia das políticas públicas fez com que, historicamente, se destacasse o trabalho das Organizações Não Governamentais (ONGs) e das Instituições Religiosas. No geral, essas instituições atuam na distribuição de alimentos, agasalhos, roupas, cobertores etc. Outro trabalho de assistência são os abrigos temporários e os albergues que, de um modo geral, são considerados insuficientes para beneficiar toda essa população. Mas pelo menos, algum trabalho está sendo feito e os braços não estão inertes.

Tais políticas, cujo objetivo é amparar as pessoas que delas necessitam, são insuficientes e geralmente não atacam a causa do problema, apenas tentam suprir as necessidades básicas de sobrevivência, como também não estão baseadas em um efetivo conhecimento acerca das demandas que norteiam esse contingente populacional.

Portanto, esse desinteresse do Estado pelas pessoas que se encontram na referida situação influencia diretamente no comportamento da sociedade, sendo que os moradores de rua são tratados ora com compaixão, ora com repressão, preconceito, indiferença e violência.

Mas a bem do bom senso, há algo que precisa ser dito no que diz respeito ao brilhante e louvável trabalho realizado em nossas madrugadas por inúmeros segmentos religiosos em nossa cidade, sobretudo, o público evangélico.

Enquanto a cidade dorme, voluntários cheios de compaixão Divina no coração e membros de várias denominações Cristãs locais, se unem e vestem a camisa da solidariedade, se humanizando na busca daqueles que gritam em silêncio por um pouco de amor, carinho, conforto e atenção.

A verdade é que se as nossas autoridades constituídas soubessem o importante e precioso valor do trabalho social que as Igrejas evangélicas – e não somente – realizam em prol da cidade, andavam beijando as mãos das autoridades e lideranças eclesiásticas.

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