Comerciantes da Praia do Morro reclamam do crescente número de moradores de rua

Por Lívia Rangel – O crescente número da população em situação de rua continua prejudicando o comércio de Guarapari. É o que afirmam os comerciantes da Praia do Morro. Depois da reportagem que o portal 27 fez mostrando a situação na Praça Philomeno Pereira Ribeiro, a Pracinha do Itapemirim, em Muquiçaba, agora é a vez da Avenida Paris.

De acordo com a funcionária de um supermercado da região, Joelma Lopes, é um problema que se estende por toda a avenida, que de Paris, só tem o nome. “Eles abordam os clientes na porta do supermercado. Alguns até entram e quando a gente chama a atenção, não gostam. Outros exigem até a marca do produto que estão pedindo”.

É um problema que se estende por toda a avenida, que de Paris, só tem o nome.

Segundo ela, além do cheiro de urina e fezes que se alastra pela calçada do estabelecimento, ainda tem as confusões que eles arrumam por conta do álcool e das drogas. “Neste último feriado tivemos até que chamar a polícia, que levou um deles. Mas não adianta, eles sempre voltam, porque sabem que o povo acaba dando esmola. Eu sou contra”.

A gerente de outro supermercado do local, S. F., que preferiu não ser identificada, ressaltou que já tem muitos moradores de rua novos. “Tem aqueles que a gente já conhece, que não incomodam tanto. Mas estão chegando mais e de outros municípios, até de outros estados. Acho que precisa de uma atenção mais especial por parte dos órgãos públicos”.

Dona Jandira Joaquim, proprietária de um restaurante na região, conta que agora trabalha com medo, porque já foi roubada e furtada por moradores de rua. “Já arrombaram aqui e levaram a minha TV. Outra vez entraram e pegaram meu celular. Como sou só eu e minha filha, a gente fica com medo, porque a gente sabe que eles trocam tudo em drogas”.

Moradores reclamam que além do cheiro de urina e fezes que se alastra pela calçada do estabelecimento, ainda tem as confusões que eles arrumam por conta do álcool e das drogas.

Ela completa: “eles intimidam a gente falando que não estão sozinhos, que são muitos. Eles ficam incomodando os clientes que estão comendo. Isso afasta a clientela, que não volta mais. Dormem aqui por conta da marquise, até fezes já tive que limpar. Eu acho que a prefeitura até faz a parte dela, mas eles querem ficar na rua mesmo”.

No restaurante do Reginaldo de Assis não é diferente. “Eles abordam os clientes, pedem comida, dinheiro, bebida, cigarro. Os clientes ficam constrangidos, nem sentam mais na área da calçada. Só que o que a gente observa é que está aumentando significativamente o número de moradores de rua, principalmente aqui na Praia do Morro”.

Reginaldo conta que no final de expediente até distribui marmitas com o que sobra dos alimentos do dia para não estragar. “Mas eles querem na hora que estamos trabalhando, com movimento. Eu entendo que fome não tem hora, mas a gente ajuda como pode. Os órgãos públicos poderiam fazer mais. É uma situação complicada”.

Hoje são cerca de 100 pessoas em situação de rua em Guarapari 

Guarapari tem cerca de 100 pessoas em situação de rua atualmente. É o que afirma a Prefeitura. Segundo a Secretaria de Trabalho, Assistência e Cidadania (Setac), a maioria é de Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro. Os bairros com maior registro de moradores de rua são Centro, Muquiçaba e Praia do Morro.

“Tem aqueles que a gente já conhece, que não incomodam tanto. Mas estão chegando mais e de outros municípios, até de outros estados”

Também destaca a importância do trabalho do Centro Pop. O serviço foi iniciado em 2019 e atende pessoas em situação de rua durante o dia, das 8h às 19h, com higienização, alimentação e oficinas socioeducativas e de ressocialização. Os objetivos são a reinserção familiar, encaminhamento para o mercado de trabalho e tratamento em comunidades terapêuticas.

O maior desafio é que apenas 50% procuram a entidade. A outra metade é atendida por meio da abordagem social realizada pela equipe multidisciplinar nas ruas da cidade. Mas a prefeitura acredita que o trabalho já está trazendo resultados. Neste ano, foram 123 reintegrações familiares e 57 encaminhamentos para tratamento de dependência química em instituições terapêuticas.

Quem quiser ajudar, pode fazer parte da campanha de doação qualificada para o Centro Pop. Basta entrar em contato pelos telefones (27) 3362-1220 ou (27) 99987-5590. Segundo a prefeitura, é uma forma de garantir que os recursos sejam usados da maneira correta, oferecendo dignidade, cidadania e qualidade de vida a quem realmente necessita.

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