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Dois transexuais de Guarapari se tornaram os pioneiros na cidade ao conquistarem o direito de mudar seus nomes no registro de nascimento. Lorenzo Souza e Júlia Pires, que até então não eram identificados desse modo em seus documentos, agora são oficialmente Lorenzo e Júlia.

Júlia Pires comemora a conquista.

STF. Eles conseguiram isso após o Supremo Tribunal Federal (STF) ter decidido em março, que transexuais e transgêneros possam alterar seu nome no registro civil sem a necessidade de realização de cirurgia de mudança de sexo. A maioria dos ministros decidiu também que não seria preciso autorização judicial para que o transexual requisite a alteração no documento, que agora pode ser feita em cartório.

A psicóloga, Júlia, de 31 anos, comemora a conquista. “Todo e qualquer processo é de muita luta, esse não seria diferente e muito desgastante. Pegar a certidão e saber que não vou sofrer constrangimentos ao apresentar os documentos para uma simples consulta médica, é muito bom. É libertador ter os documentos que reflitam quem sempre fui”, diz.

Júlia conta que ser reconhecida pelo gênero que se identifica é um desejo antigo. “No meu caso sempre me senti incomodada com o gênero que me foi imposto. Nasci numa família muita cristã e ainda quando criança, imaginava que um dia Deus iria me transformar numa menina,(inocência de uma criança), me percebi trans já na vida adulta e transição começou tardia, na minha época quase não se falava em questões relacionadas à gênero. Quando eu vi no espelho brotando aquela pele que eu estava moldando, tudo se encaixou”, afirma.

Julia acredita que a mudança de nome no registro foi um marco que pode ajudar outras pessoas. “Isso pode mostrar para as pessoas trans da cidade que elas devem buscar que lhes é de direito”, ressalta.

Estudante, Lorenzo, aos 21 anos exibe seu registro com muito orgulho.

Liberdade. Já o estudante, Lorenzo, aos 21 anos, diz que a alteração do nome do documento trouxe a ele a sensação de liberdade. “Estou me sentindo incluído. Agora posso ser eu em qualquer lugar. Já deixei de viajar para não ter que mostrar meu documento na rodoviária, deixa de ir em balada porque tinha que apresentar o documento. Passar por aquela situação de ter um nome no documento que não identifica quem eu sou era algo muito constrangedor”, conta.

Ele comenta que estava decidido a fazer a alteração do nome em sua certidão. “Fiz tudo de forma independente. Não houve uma conversa com meus pais. Minha transição começou aos 15 anos, na minha família uns respeitam e outros não. Tive muito apoio da minha namorada. Persisti na minha decisão e hoje estou feliz”, diz.

E fala ainda. “Histórias como essa devem ser contadas para mostrar para outros jovens, que estão nesse momento passando pelo que eu vi, que é possível”, conclui.

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