O Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (CBMES) prepara três cadelas para localizar vítimas de afogamento. As filhotes Beck e Bruma, da raça Pastor Alemão, e a Pastor Belga de Malinois, Bliss, com seis e quatro meses respectivamente, aprendem técnicas de como localizar cadáver na água e estarão aptas ao novo trabalho no próximo ano. O trabalho prático tem sido feito na praia.

De acordo com o tenente-coronel Leonardo Meriguetti, coordenador de salvamento com cães do CBMES, as filhotes estão na fase de socialização. Elas são apresentadas aos mais diversos ambientes possíveis, entre eles a praia, onde tudo é diferente para um animal que sempre esteve sendo preparado para agir em matas, escombros e lamas.

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Na praia, os animais entram na água, fazem natação e relaxamento muscular. “Observamos a segurança do cão para trabalhar nos ambientes e situações diversas durante a fase de socialização, reforçando suas ações desejáveis para evitar possíveis traumas com novidades. Observamos seu impulso para obter o brinquedo sem temer obstáculos e o temperamento equilibrado”, ressalta Meriguetti.

O treinamento de localização de cadáver submerso dura em torno de três meses e é aplicado depois dos 18 meses de vida. “Neste momento estamos adaptando o cão ao futuro local de atuação, para que não apareçam traumas na fase mais avançada do treino. Para que o cão inicie o treino de localização de cadáver, ele deverá estar apto a localizar pessoas com vida perdidas ou soterradas. Aos dois anos de vida elas deverão já atuar na localização de vivos e de cadáveres”, ressalta.

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Localização de corpos na água

O coordenador de salvamento com cães do CBMES explica como é a técnica usada para que o cão localize um cadáver na água. “Um cadáver em decomposição libera gases e esses gases submersos tendem a emergir em forma de bolhas. Ao atingir a superfície, o odor é liberado no ar e captado pelo cão, que indica a área onde as bolhas estão emergindo”, diz Meriguetti.

O Corpo de Bombeiros atende ocorrências de localização e resgate de vítimas de afogamento, e utiliza mergulhadores militares de resgate, que fazem uso de processos de varredura subaquática em áreas muito amplas, o que implica em dias de trabalhos muitas vezes sem retorno.

“Com cães as áreas de buscas são reduzidas aos locais onde o odor emerge e com a certeza de que o corpo está naquela área. Este processo com os cães reduz o tempo, evita desperdícios, aumenta a segurança e melhor atende a família que espera pelo corpo de seu ente querido”, conclui.

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O treino
Os treinos com as alunas filhotes acontecem todas as manhãs de segunda a sexta, na Praia de Manguinhos, na Serra. O local não faz restrição à presença de animais, porém, antes do treino as cadelas são alimentadas e só saem após fazerem suas necessidades.

Todos os cães que compõem a equipe de busca e salvamento do CBMES são vacinados, vermifugados e isentos de doenças. Seus canis são limpos e desinfetados diariamente. Vivem em área arejada e rodeada de vegetação, mantendo um ambiente bem equilibrado. Bebem água tratada e comem ração de qualidade.

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