Uma coruja aparentemente ferida morreu na manhã desta quinta-feira (1º), depois de cair no quintal da casa da advogada Meyre Sgrili, no bairro Itapebussú, e passar mais de 24 horas sem conseguir se alimentar e ingerir água. A dona da casa afirma que houve negligência com o animal por parte da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema), que demorou a prestar socorro.

O animal morreu na manhã desta quinta-feira (1º). Foto: Colaboradora/Meyre Sgrili

De acordo com Meyre, a coruja apareceu na noite da última terça-feira (30) e aparentava estar ferida, pois não conseguia mais voar. Preocupada, ela a acolheu em local seguro e no início da manhã de quarta procurou o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) para socorrer o animal, mas foi informada de que o caso era de responsabilidade da Sema. Esta a encaminhou de volta para o CCZ, que tornou a afirmar que a coruja deveria ser recolhida pela Secretaria.

“Voltei a ligar para a Sema e tive que explicar a mesma situação para quatro funcionários. Foi um verdadeiro ‘jogo de empurra’. O que me disseram foi que um biólogo entraria em contato no horário de almoço, o que não aconteceu e fez com que eu ligasse novamente para lá, sendo informada que a profissional estava dando uma palestra”, conta.

Às 14h, a advogada ligou mais uma vez e lhe disseram que a palestra só terminaria às 16h e em seguida o biólogo da Sema iria até a casa dela recolher o animal. Somente às 17h30 o funcionário apareceu, não quis se aproximar da coruja alegando não querer estressá-la, e avisou que não poderia recolhê-la, pois o Parque Estadual Paulo César Vinha, para onde ela seria levada, já estaria fechado, mas ele retornaria nesta quinta de manhã para fazer o recolhimento.

“O animal estava sem se alimentar e ingerir água há quase 24 horas, pois ele não comeu e nem bebeu o que eu coloquei perto dele. Falei para o funcionário da Sema que ele não sobreviveria se continuasse assim. Eu comecei a ligar desde às 9h de ontem para o órgão e não recebi nenhum retorno”, desabafa.

A coruja seria levado para o Parque Estadual Paulo César Vinha. Foto: Lauro Narciso/ Iema

Meyre conta que, cansada de esperar pela atuação dos responsáveis, decidiu levar o animal por conta própria ao Parque. “Cheguei a colocar a coruja em uma caixa de transporte, mas ela não resistiu e, por volta de 11h30, morreu. Fiquei arrasada. Me arrependo muito de ter confiado no trabalho da Sema. O animal morreu por negligência. Se eles tivessem feito algo ele poderia ter sobrevivido”.

Ela ainda afirma que já ouviu outros relatos de pessoas que tiveram que agir por conta própria em casos como esse. “Depois que eu desabafei sobre o ocorrido nas redes sociais, muita gente veio me dizer que se for esperar o órgão competente recolher o animal, ele agoniza até a morte, porque a ajuda não vem. Isso é uma falta de respeito! As autoridades precisam atuar de verdade em casos assim”, finaliza.

Outro lado

Em nota, a  Secretaria Municipal de Meio Ambiente informou que “quando a moradora entrou em contato informando o ocorrido, na última quarta-feira (31), o biólogo responsável para este tipo de atendimento estava em uma ação já pré agendada, em local sem sinal de telefone. Ao retornar, o funcionário foi imediatamente atender a ocorrência citada, no entanto, o local onde o animal deveria ser levado – Parque Paulo César Vinha – já estava fechado. No dia seguinte, a Secretaria entrou em contato com a moradora para solucionar o caso e, esta informou que o problema já havia sido resolvido”.
 
O órgão disse ainda que qualquer solicitação ou reclamação, o cidadão deve ligar para o número (27) 3362 9423.

Comments are closed.