Um dos setores mais afetados pela crise econômica é o comércio varejista. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), 108,7 mil lojas fecharam as portas em 2016 e consequentemente 182 mil trabalhadores do setor perderam o emprego. Em Guarapari a situação não é diferente, ao andar  pelas ruas da cidade percebemos que muitos comércios encerraram suas atividades. Tem lojas, restaurantes e até supermercado que não resistiu a crise e muitas dessas empresas já eram tradicionais na cidade.

residente do Sindicato dos Comerciários Carlos Hoffman

O presidente do Sindicato dos Comerciários Carlos Hoffman reconheceu que muitas empresas estão fechando na cidade, mas explicou que não existe um registro de quantas pararam de funcionar. “É difícil saber quantas fecharam porque muitas vezes as pessoas fecham as lojas e depois nem da baixa na empresa nem na prefeitura e depois vai para contabilidade e na verdade, não repassam isso para gente. Muitas empresas paralisam e não dão baixa na Receita Estadual para tirar a inscrição estadual e ficam ali. Mas de qualquer forma o número é grande e preocupante porque desde o ano passado o fechamento de lojas em Guarapari tem sido muito grande”, explicou ele.

Ele lembrou que com o fim das atividades dos comércios o desemprego aumenta na cidade. “Cada loja que fecha, dependendo do porte, você pode contar de quatro a cinco pessoas desempregadas. Então é muito preocupante e não vejo ainda um ponto de estabilidade dessa situação para o comércio como um todo”.

Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), 108,7 mil lojas fecharam as portas em 2016.

Para Carlos Hoffman falta planejamento na hora de abrir uma empresa. “Muitas lojas se instalam sem fazer uma pesquisa de mercado para ver se naquela rua cabe ainda aquele tipo de atividade. Tem uma loja com determinado seguimento e cinquenta ou cem metros depois vão lá e abrem uma outra do mesmo seguimento e aí não tem como sobreviver”.

superintendente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) Aguinaldo Ferreira Júnior.

CDL. O superintendente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) Aguinaldo Ferreira Júnior lembrou que muitas lojas estão optando por mudar de endereço para reduzir custos com aluguel. “Muitas lojas estão realocando o seu posicionamento estratégico. As que estavam com produtos um pouco mais caros agora estão com produtos de uma linha mais barata, mas isso já era esperado dado a queda de receita dos consumidores”, afirma.

Segundo Aguinaldo, ao mesmo tempo em que muitas lojas estão fechando muitas outras estão abrindo na cidade. “O mesmo movimento para o fechamento de lojas tem também de abertura, isso faz parte o capitalismo. Hoje temos um número crescente de abertura e formalização de loja. Isso porque muitas pessoas que em algum momento perderam seus empregos estão abrindo suas empresas. Teve uma movimentação muito forte no último ano, principalmente, de formalização de negócios”, explica.

“O último levantamento que a gente tem é de que 160 empresas abrem em média por mês em Guarapari. Há dois anos atrás a média era 110, esse número a gente consegue porque cruza dados entre a Junta Comercial e a Receita Federal”, relatou o superintendente da CDL.

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