Dois juízes capixabas tiveram a prisão preventiva decretada pelo Tribunal de Justiça do Espirito Santo (TJES).  O pedido de prisão dos juízes Alexandre Farina e Carlos Alexandre Gutmann, que já estavam afastados das funções desde o dia 15 de julho, foi feito pelo Ministério Público do Estado (MPES), através da operação Alma Viva.

Sentenças. Essa operação investiga uma suposta venda de sentença praticada por Gutmann quando atuava na Vara de Fazenda Pública da Serra, com intermediação do juiz Alexandre Farina.  Além dos juízes, foi decretada prisão preventiva do empresário Eudes Cecato e o ex-funcionário da Associação de Magistrados do Espírito Santo (Amages), Davi Ferreira da Gama.

Juízes Alexandre Farina (esquerda) e Carlos Alexandre Gutmann tiveram a prisão preventiva decretada.

O pedido de prisão foi feito pela procuradora-geral de Justiça, Luciana Andrade. Ela alegou que os investigados, por estarem soltos, estavam atrapalhando as investigações. Segundo ela, havia. “Um cenário de continua interferência na produção de provas pelos investigados”.

A relatora Elisabeth Lordes, em seu voto, indicou que há a necessidade da prisão pelos magistrados ainda representarem riscos para a continuidade das investigações. E o voto da relatora foi mantido por unanimidade. Dos 20 desembargadores, foram 19 votos pela prisão, e um pedido de suspeição por motivos pessoais. Os dois juízes deverão ser levados para o Quartel da Polícia Militar em Maruípe.

Os fatos. Os juízes começaram a ser investigados quando foi apreendido e analisado o celular do ex-policial civil Hilário Frasson, que está preso acusado de mandar matar a ex-mulher, a médica Milena Gotardi, em 2017.

No celular foram encontradas mensagens entre Frasson e o juiz Alexandre Farina, tratando do suposto pagamento de propina, em troca de uma decisão judicial em um processo de regularização imobiliária, em favor da empresa de Eudes Cecato.

Segundo as denúncias, o magistrado seria o responsável por interferir no processo que seria julgado por Gutmann. As negociações teriam ocorrido ao longo do mês de fevereiro de 2017, e a sentença foi proferida no dia 3 de março daquele ano.