A notícia de que cinco pontos em três praias (Castanheiras, do Morro e Peracanga) de Guarapari não estão próprios para banho causou polêmica. A população estranhou a aprovação de algumas praias em que sabe que existe vazamento de esgoto, como é o caso da Praia de Santa Mônica e Meaípe, e a rede hoteleira não concorda com a divulgação da análise da balneabilidade na alta temporada.
O presidente da Associação Brasileira da Indústrias de Hotéis no Espírito Santo (ABIH – ES), Gustavo Guimarães afirmou que a impropriedade das praias para banho é um fato preocupante, principalmente, por Guarapari ser um balneário visitado por tantos turistas. Mas na opinião dele a divulgação da análise deveria ter sido feita após o verão.
“Se fosse uma questão que trouxesse prejuízo eminente a saúde das pessoas, é lógico que se precisaria ser feito de imediato para evitar qualquer tipo de ocorrência mais grave. Porém, como a própria secretária afirmou, em entrevista, as pessoas podem se banhar, é só o cuidado de não ingerir. Essa pesquisa poderia ser feita e divulgada depois da alta temporada para não causar uma repercussão tão negativa no período em que a gente tem o maior fluxo de turistas”.

Ele relatou que “já tivemos questionamentos de hóspedes se a Praia do Morro está imprópria mesmo para banho. A gente está mais no início da Praia do Morro e muitos hóspedes vão para praia caminhando por causa do estacionamento. Aí a primeira placa que eles veem é de imprópria para banho. Então já imaginam que a praia inteira está e isto causa uma repercussão muito negativa”.
Gustavo disse ainda que concorda com a realização da análise, que é uma obrigatoriedade prevista em uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), mas que acredita que a prefeitura nem teve tempo de tomar providências como notificar os responsáveis por despejar esgoto nas praias.
“A hotelaria foi obrigada a fazer o seu licenciamento ambiental e dentro do licenciamento nós tínhamos que registrar por meio fotográfico a nossa ligação dos hotéis a rede pública de esgoto. Os prédios que são usados muitas vezes por turistas que alugam imóveis não têm essa obrigatoriedade. São justamente eles que não tem essa ligação na rede de esgoto. Muitas vezes essa ligação é feita na rede pluvial causando parte desse problema em determinados pontos. A prefeitura não teve tempo ainda de buscar e notificar esses imóveis para que sejam tomadas providências que não causem esses problemas”.
Para o presidente da Associação de Hotéis e Turismo de Guarapari (HTG), José Renato de Andrade César a divulgação da análise também não foi apropriada. “Isso foi feito na hora errada e se realmente tiver algum problema de poluição, teria que ver antes para tomar providências e não agora na véspera de carnaval. Isso aí pegou muito mal para a cidade”.

José Renato afirmou que está informando aos hóspedes que a cidade tem outras praias que estão aptas para banho. “Estou falando para o pessoal que pode vir para Guarapari sem problema porque a cidade tem 51 praias e 98% está própria, então o número de praia imprópria é muito pouco”.
Ele afirmou ainda que as placas devem ser respeitadas. “ Já que está escrito que está impropria vamos respeitar porque saúde é coisa séria. Mas que a hora não foi própria para isso não foi não. Se realmente tiver alguma coisa imprópria, vamos procurar os responsáveis e corrigir. Agora em cima do carnaval não dá”, Disse.
O presidente da Associação de Moradores do Centro (AMOCENTRO), Themistocles Santana Ribeiro Neto, também não concordou com a divulgação da análise durante o verão e questionou a impropriedade da água nos locais analisados.

“É tudo uma coisa só as pedras que separam a Praia dos Namorados, Praia das Castanheiras e Praia do Meio. Como a Praia dos Namorados está Própria, a Praia das Castanheiras está própria e a Praia do Meio, que é aquele cantinho lá perto do Siribeira, está imprópria? Como a Praia de Meaípe está própria com aquele rio de Meaípe jogando esgoto lá dentro? São coisas a se questionar”.











