Por Lívia Rangel | Quando se fala em areias monazíticas, logo vem à mente os seus efeitos terapêuticos e benefícios para a saúde. Mas o que poucos sabem e muitos desconhecem é a história escondida por trás da tal famosa areia de cor preta. É aí que entra em cena o documentário “O Poder da Areia Monazítica” de Thiago Amaral Ribeiro, produzido por meio de edital da Lei Aldir Blanc.

Cenas do documentário “O Poder da Areia Monazítica”

Foram quatro meses de muitas pesquisas e descobertas envolvendo essa areia considerada rara por sua radioatividade. Explorações milionárias, trabalho escravo, corrupção e até um projeto secreto americano para produção de uma bomba atômica. Tudo isso em 20 minutos de pura história e vasto conhecimento.

“Eu sempre me interessei por história, cultura, arte. Há alguns anos, li duas reportagens muito interessantes sobre esse aspecto macro por trás das areias monazíticas que despertou ainda mais minha curiosidade. E quando surgiu a oportunidade, não tive dúvidas que o documentário seria sobre as areias monazíticas, mas com um olhar além do viés da saúde”, conta Thiago.

E não são poucas as curiosidades trazidas à tona pelo documentário. Palavra de jornalista, curiosa de nascença que sou. Aproveitando a deixa, faço alerta de spoiler. Afinal, não tem como não dizer que o mineral presente na areia – a monazita – já foi usado como forma de energia para iluminação pública na Europa e nos Estados Unidos. Ou que o tório, presente nas areias monazíticas, já foi usado na produção de bomba atômica dentro do contexto histórico da Segunda Guerra Mundial e Guerra Fria.

Thiago Amaral Ribeiro, diretor do documentário.

O  tório também foi considerado como uma energia amiga do meio ambiente. A tese foi defendida pelo cientista italiano Carlo Rubbia. Ganhador do Prêmio Nobel de Física, ele apresentou o tório como um reator não poluente, que revolucionaria a produção de energia nuclear sem agredir o meio ambiente. Segundo ele, “a quantidade de tório encontrada no Brasil é suficiente para garantir 130 anos de toda energia consumida no mundo” naquela época.

E não para por aí. O engenheiro espacial Kirk Sorensen, que trabalhou na Nasa por 10 anos, é um defensor da energia nuclear baseada em tório – o mesmo encontrado nas areias monazíticas de Guarapari. Em uma de suas palestras, ele disse: “o tório é um combustível nuclear mais limpo, seguro e abundante. Vamos atingir um futuro energeticamente sustentável com base na energia do tório”.

“Tudo isso bem no quintal de nossa casa. Precisamos conhecer a nossa história para não repetir os mesmos erros do passado. Nossas riquezas sempre foram exploradas e é difícil mensurar o tanto que Guarapari perdeu e o tanto que deixou de ganhar. No documentário, trouxe muitos dados, números, comparativos, como um alerta mesmo, para chamar a atenção de todos para o nosso futuro”, explica Thiago.

Então chega de spoiler e se você ficou curioso e quer conhecer mais sobre a história da nossa Cidade-Saúde – nome que recebeu justamente em função das propriedades medicinais das areias monazíticas – acesse o link e descubra o verdadeiro significado de “O Poder da Areia Monazítica”.