Todos os dias ficamos sabendo de problemas com a saúde pública. Faltam médicos, enfermeiros, equipamentos e tudo o mais. A saúde passa por um problema em todos as esferas do país. Guarapari não é diferente e sempre foi uma das mazelas mais graves da cidade.

Nem a palavra "urgente" chamou a atenção e o documento ficou perdido por cinco meses. Foto: reprodução João Thomazelli/Portal 27
Nem a palavra “urgente” chamou a atenção e o documento ficou perdido por cinco meses. Foto: reprodução João Thomazelli/Portal 27

Mas algumas coisas não podem ser explicadas apenas colocando a culpa nas deficiências orçamentárias. Um caso claro de falta de cuidado com o cidadão é a história de dona Jurema Ribeiro, 55 anos, e um pedido de exame de urgência para o seu netinho de apenas um ano e cinco meses.

Em novembro de 2015 Jurema foi com sua filha e o neto para fazer uma ressonância magnética para poderem identificar qual o real problema da criança. Um médico o diagnosticou com paralisia cerebral, mas outro como microcefalia. Para que o pequeno Denner receba o tratamento correto, o diagnóstico precisa ser feito.

Mas em novembro, depois de esperar algum tempo para a marcação do exame, ela finalmente avisada que deveria procurar uma clínica em Vila Velha, mas só depois que chegou lá ficou sabendo que a clínica não tinha mais convênio com o Estado e o exame não foi realizado.

“Voltamos para casa frustradas, pois gastamos dinheiro com combustível, pagamos pedágio e não fizemos o exame no meu neto. Fizemos outro pedido e em 14 de janeiro protocolei novamente na unidade de saúde de Santa Mônica”, explicou Jurema.

Jurema Ribeiro espera há cinco meses a marcação de um exame que foi pedido com urgência. Foto: João Thomazelli/Portal 27
Jurema Ribeiro espera há cinco meses a marcação de um exame que foi pedido com urgência. Foto: João Thomazelli/Portal 27

Estanhando a demora na resposta da secretaria de saúde do município ela procurou a sede do órgão e descobriu que o pedido de exame nunca havia chegado lá. Ela apresentou os comprovantes de que havia protocolado no posto o novo pedido, mas nada foi encontrado referente a isso.

Ela então foi à unidade de saúde de Santa Mônica. “Eu mostrei o documento e perguntei de quem era a assinatura e a letra do protocolo e ninguém soube me responder. Falei então do que se tratava e eles começaram a procurar a guia com o pedido de exame e finalmente eles encontraram o documento perdido numa sala em meio a vários outros papéis que não tinham nada a ver com pedidos de exames. Eles simplesmente não fizeram o pedido”, disse indignada.

Um detalhe interessante: no documento está escrito à mão, na parte superior direita a palavra urgente. Mas nem isso chamou a atenção do responsável por encaminhar o pedido para a secretaria de saúde. 

A prefeitura de Guarapari

Procuramos a prefeitura para saber o que aconteceu com o documento e se existe previsão para marcar o exame. Em nota a prefeitura respondeu o seguinte:

“A Secretaria Municipal de Saúde irá apurar o caso para identificar o responsável e adotar as medidas administrativas necessárias em razão do ocorrido promovido pelo servidor. Com a posse do documento da Unidade de Saúde,  o pedido do exame será inserido na Central de Regulação Municipal para liberação pela Secretaria Estadual de Saúde. Ainda, a Secretaria de Saúde se coloca à disposição da família para demais esclarecimentos”.