Na tarde desta sexta-feira (26) familiares e amigos do lutador de Jiu-Jitsu João Roberto Corrêa, conhecido como “João Neguinho” ou”Neguinho Peroá”, de 36 anos, realizaram uma manifestação para pedir a prisão do comerciante Liniker Araújo do Carmo Martins, que confessou ter assassinado João e está aguardando o julgamento em liberdade.

A esposa do lutador, Elisângela Ribeiro Gomes, de 41 anos, questionou a alegação de que o comerciante cometeu o crime em legitima defesa. “Meu marido já estava indo para casa na paz, quando ele pegou ele (João Neguinho) de tocaia, pelas costas. A gente já sabe que o homicídio foi qualificado por motivo fútil, então foi porque ele quis. Mesmo não saindo a sentença, queremos que ele esteja preso, porque ele já possui duas passagens por armas de fogo, e assim como ele fez com meu marido, pode fazer com outras pessoas também, e é por isso que queremos justiça”.
“Ele esperou ele ir embora para ir atrás dele. Se ouve alguma discussão, que tivesse chamado a polícia para resolver, não esperar ele sair para matá-lo. Ele matou mesmo porque quis”, desabafou a esposa.

Ela também afirmou que João era um bom pai. “Ele era tão bom pai, que outros alunos o consideravam como pai. Agora me deixou com um filho de 7 anos, e quero que quem fez isso seja preso”.
Além da família, amigos também cobraram que o comerciante seja preso. “Nós queremos justiça, o rapaz se entregou e está aí solto porquê? Ele foi morto. Era algum animal ou algum bicho? Nós queremos justiça porque ele era uma pessoa muito boa”, afirmou a dona de casa Maria das Graças Rodrigues, de 58 anos.
Ela relatou ainda que conviveu por muitos anos com o lutador no Projeto Adrenalina Fighter e que ele não era agressivo, era mais de conversar. A amiga também falou sobre a saudade que todos já estão sentindo. “O filho dele era muito grudado e está sentindo muita falta dele. Não só ele, mas os amigos e alunos também. Todos nós temos direito de termos a nossa fraqueza e nem por isso a gente é condenada. Muita gente está apontando o erro e porque não vê o que ele fez? Quantos jovens ele cuidou? A prova viva está aqui para gente”, disse emocionada.
“Ele era uma pessoa muito brincalhona, amiga, parceira, e com a família ele era especial e já deixa muita saudade. Estamos muito abalados com isso e só queremos justiça. De fato, nós não sabemos o que aconteceu, mas queremos justiça”, afirmou a amiga Ana Cláudia Rodrigues.
Adam Emanoel Assunção, de 16 anos, foi aluno de João por dois anos e lembrou dos conselhos dados pelo mestre. “Ele era um ótimo professor e nos incentivava a não fazer nada de errado. Falava para a gente sempre lutar e seguir os nossos sonhos”.

O professor de Jiu-Jitsu e Muya Thay José Adriano Mello, de 35 anos, era amigo do lutador há 20 anos. Ele lamentou a morte de João. “Foi um irmão que perdi e quero que a justiça seja feita”.
Ele ressaltou que a intenção da manifestação é cobrar que o caso seja resolvido pela justiça. “A gente só quer justiça, ninguém vai fazer nada com as próprias mãos, não vamos agredir ninguém. A gente só quer justiça, ela que vai resolver. Nós estamos fazendo nosso papel aqui de ser humano e amigo dele”.

Durante a manifestação todos vestiam uma camisa com a foto de João e carregavam bolas brancas, cartazes e gritavam pedindo justiça. Eles circularam pelas ruas do Centro, depois voltaram para Muquiçaba onde passaram pelo bar do comerciante e seguiram até a academia onde João treinou Jiu-Jitsu.










