Maria Vanusa Silva Cândido é uma babá, de 35 anos, que sempre brigou com a balança. Ela chegou a pesar 110 kg e, há dois anos, viu que o excesso de peso estava afetando sua saúde. Sem nenhum receio de que esse foi o resultado do sedentarismo e da má alimentação, ela fala: “Eu comia dois hambúrgueres de vez, trocava o almoço pelo salgado, a água pelo refrigerante, chegava a beber 1,5 litro por dia. Cada hora ia na geladeira e enchia um copo. Isso sem falar nos doces, que sou apaixonada. Escondia no meu guarda-roupas caixa de bombom, chocolate…”.

Foto: Acervo pessoal
A babá chegou a pesar 110 kg. Foto: Acervo pessoal

Mas um dia o corpo cobrou. Ela começou a sentir dores na nuca, dor nas pernas, muito cansaço e quis medir a pressão, que estava bem alta. Foi no médico, fez vários exames e o clínico geral pediu para ela marcar consulta com um cardiologista e uma nutricionista.

A partir daí, Maria Vanusa começou a fazer dieta e caminhadas. Ela teve que tomar medicamento para pressão e colesterol altos, mas, com força de vontade, começou as atividades físicas. “No começo o médico liberou apenas 30 minutos de caminhada por dia e me monitorava para saber se eu ia aguentar mais tempo. Depois disso, ele liberou caminhar uma hora, uma hora e meia por dia. Como levanto cedo, vou caminhar e volto para trabalhar”, conta.

A mudança de vida começou em maio de 2014. Quase seis meses depois, ela já tinha perdido 30 kg. Hoje, quase dois anos depois, perdeu 42 kg, está pesando 68 kg e consegue manter os hábitos como a alimentação saudável e a caminhada. “Como biscoito integral no lanche, uma xícara de café com leite desnatado com adoçante, no lanche uma fruta ou suco, e no almoço salada à vontade, arroz integral, peito de frango e de sobremesa gelatina. No começo, é difícil se adaptar, o gosto do adoçante é ruim, mas depois acostuma”.

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Dois anos depois da mudança de vida, Maria Vanusa está pesando 68 kg. Foto: Acervo pessoal

A maioria dos brasileiros está acima do peso. Uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde em abril de 2015 revelou que 52,5% dos brasileiros está com excesso de peso, e destes, 17,9% são obesos.

Para a nutricionista Ana Paula Delarmelina, 29 anos, o caso de Maria Vanusa é um exemplo. “Muitos conseguem emagrecer, mas perdem um pouco e já desistem. Ela conseguiu ainda manter os hábitos. Há quem tome medicamento. Já recebi vários pacientes que falavam que tomavam sibutramina (um inibidor de apetite) e ficavam extremamente irritados. Esse medicamento altera o comportamento da pessoa, e depois que ela para de tomar, engorda tudo de novo”, explica.

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A nutricionista orienta os pacientes a terem foco e força de vontade. Foto: Acervo pessoal

A orientação da nutricionista é ter foco e força de vontade. “Faço uma dieta personalizada, com alimentos que a pessoa gosta mas com a quantidade de calorias que podem ser ingeridas por dia, com muitas frutas, legumes. Aproveito o que a pessoa gosta que é saudável e exploro bastante. E trabalho com meta. Se o paciente tem que perder 10 kg, traçamos 3 kg por mês. Com alimentação adequada e exercícios físicos”.

Vanusa conta que já tomou remédios para emagrecer, teve a fase dos shakes, mas agora ela diz que está acostumada a comer pouco e alimentos saudáveis. “Antes todos os fins de semana tinha churrasco lá em casa ou na casa de um amigo ou parente. Agora continuo indo, mas só consigo comer pouco. No dia que comi um pouco mais passei mal”.