Filha de professora afirma estar traumatiza e diz que nunca mais vai entrar em ônibus

Nesta quarta-feira (22) a professora Denise Fabiane Keng Queiróz, de 49 anos, foi velada na Igreja Batista Nova Vida, em Santa Mônica. Ela foi a primeira vítima fatal do assalto ao ônibus da viação Alvorada, na tarde desta terça-feira (21).

Traumatizada com o que aconteceu com sua mãe, Dandara afirmou que não vai mais pegar ônibus.

Durante o velório a filha mais velha da vítima, Dandara Keng Queiróz, de 20 anos, afirmou que está traumatizada e não vai mais andar de ônibus.“Fica o medo, o receio de entrar naquele ônibus. Nunca mais entro. Nunca mais”, afirmou a filha emocionada.

Ela relatou que recebeu a notícia de que a mãe havia sido baleada, mas que só soube de sua morte no local em que o ônibus ficou parado. Ela disse ainda que inicialmente não acreditou no que havia acontecido. “Quando recebi a notícia estava dentro do ônibus e minha amiga me ligou e disse que minha mãe tinha sido baleada. Não acreditei. Depois eu ligava para ela e não me atendia então fiquei preocupada e apertou meu coração. Senti que realmente aconteceu alguma coisa porque ela não demorava para me atender. Então liguei para minha tia que estava no mesmo ônibus, mas ela também não me atendia. Aí quando cheguei lá e vi o ônibus parado meu coração gelou”.

“Estou indignada. Dois abençoados tiraram a vida da minha mãe, uma inocente. Uma trabalhadora que não fazia mal a ninguém. Era uma pessoa amada por todos. Agora enquanto estou aqui chorando eles estão rindo. Mas eles podem ter certeza que a justiça divina tarda, mas não falha. Eles vão pagar caro, pode ter certeza. Meu consolo agora é que ela está lá no céu olhando por mim”, disse a filha.

Segundo a filha, Denise já havia sido assaltada na mesma linha. Foto: Arquivo Pessoal.

Dandara afirmou ainda que trabalhava na mesma escola que a mãe, em Vila Velha. “Ela ia todos os dias e eu ia com ela porque trabalhava na mesma escola. Agora  vou chegar na escola e não vou ver mais minha mãezinha”, disse comovida.

A filha da professora também contou que está preocupada com os irmãos, um menino de 11 e uma menina de 13 anos. “O pior foi que ela deixou dois filhos pequenos. O que vai ser do futuro dos meus irmãos?”, questionou a filha.

Ela revelou que a professora já havia sido assaltada antes na mesma linha. “Ela já foi assaltada na mesma linha. Ela reclamava e dizia filha guarda o telefone. Ela também já foi assaltada no Transcol e em todos os lugares. Nunca fui assaltada e nunca vi uma arma na minha vida, mas preferia que eu tivesse morrido e ter ela aqui por causa dos meus irmãos porque eu estou criada, mas eles estão pequenos”. 

Despedida pedreiro. O velório do pedreiro Anízio Gomes da Silva, de 62 anos, teve início no final da tarde desta quarta-feira (22) na igreja Batista Vida Nova, em Santa Mônica, onde mais cedo também aconteceu a despedida da professora Denise Fabiane Keng Queiróz, de 49 anos.

Na manhã desta quinta-feira (23) o corpo de Anízio foi sepultado no cemitério Parque da Paz, em Ponta da Fruta, Vila Velha, onde ele trabalhava. Além dos familiares, muitos funcionários do cemitério compareceram para se despedir do colega de trabalho. 

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