Poderia ter sido apenas mais um sábado de trabalho na Padaria e Confeitaria Pontual, no bairro Nossa Senhora da Conceição, em Guarapari. Mas, quis o destino, que Lucas entrasse na história não somente do casal, mas de toda a família. Edson Batista de 62 anos e Maria de Fátima Mendes Souza de 45 foram surpreendidos por Lucas de Oliveira Marcelino, de 24 anos.

Lucas
“Eu fui pra assaltar mais uma vez, mas não assaltei. Eles me enquadraram antes”, afirma Lucas.

Lucas invadiu a padaria por volta das 10:30h armado com uma espingarda calibre 12, após reagir a uma tentativa de abordagem  da PM na Av. Jones dos Santos Neves. O acusado conta que estava seguindo para o ponto de ônibus que fica na avenida, com a intenção de roubar o coletivo, para arrumar dinheiro. “Eu estava no ponto de ônibus, onde assaltei outro ônibus dois dias atrás. No roubo só consegui 22 reais. Eu fui pra assaltar mais uma vez, mas não assaltei. Eles me enquadraram antes”, explica Lucas.

Esta cena aconteceu, quando Lucas estava caminhando do ponto de ônibus. Ele avistou uma radiopatrulha da Policia Militar e acabou soltando no chão, a bolsa que ele estava carregando nas costas. A polícia já havia sido informada de um suspeito que estaria rodando a região. A denúncia feita via Ciodes, dizia que Lucas teria as mesmas características do jovem que assaltou o coletivo dois dias atrás. A polícia suspeitou a reação de Lucas, por ter soltado a bolsa no chão.

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Família comemorou o final feliz da história. Fátima e Edson rodeados pela família.

Na tentativa de abordagem, Lucas reagiu, tirou a arma de dentro da camisa e apontou para os policiais. Neste momento, a polícia teria disparado contra Lucas, onde acertou um tiro de raspão da orelha. Mesmo ferido, o acusado atravessou a rua, entrou na padaria, e então rendeu o casal e obrigou os comerciantes a abaixarem as portas. “Se eu não pego os dois de escudo, o policial ia descarregar a pistola em mim”, disse Lucas.

Inicialmente, os policias militares estavam negociando com Lucas, em seguida, dez viaturas do Batalhão de Missões Especiais (BME) cercaram o estabelecimento e prosseguiram com as negociações. Lucas chegou a exigir droga, armas, munições, helicóptero e até carro com motorista, na intenção de fugir. “Eu pedi colete,maconha, motorista, um táxi, arma, eu achei que ia dar fuga”, conta ele.

Em pouco mais de oito horas de negociação, Edson Batista foi libertado em troca de um colete à prova de balas. O senhor de 62 anos é diabético e estava passando mal. Após ser liberado, uma ambulância que estava no local ofereceu os primeiros socorros e o encaminhou para a UPA do município, onde foi medicado e levado para casa.

Capa refens
Foram várias horas de negociação até a liberdade dos dois reféns.

Apenas Maria de Fátima continuava refém de Lucas, que seguiu exigindo armas e dizia não ter previsão para liberta-la. Dentro da padaria, os dois estavam no escuro, já que a polícia cortou a energia elétrica do estabelecimento, na intenção de dificultar a ação do criminoso.

Capitão Joel
Junto ao BME, Capitão Joel da PM participou do começo das negociações.

Suicídio. Lucas chegou a dizer que iria se matar, caso a polícia invadisse o local. “Ele dizia que estava tratando bem as vítimas, mas se invadíssemos o local, ele iria se matar”, explicou o Capitão Joel, do 10º Batalhão da PM. E em alguns momentos, Lucas pedia a presença da ex-namorada de nome Melissa, mas a mãe dele, a dona Joana Dark de Oliveira, essa menina a quem ele se referia, seria vizinha deles, e Lucas não chegou a namorar a Melissa, mas ele era apaixonado por ela.

Celular. Lucas estava usando o telefone celular do senhor Edson, para fazer contatos. E em um momento, a família da dona Maria de Fátima conseguiu falar com Lucas. “Ele disse que queria se matar, por causa dessa tal de Melissa, mas que não faria nada, contra minha família”, contou Shirlei, sobrinha de Dona Maria de Fátima.

Capitão Palaoro
Capitão Palaoro, finalizou as negociações do sequestro.

Lucas cochilou durante as negociações, e ao acordar, após mais de 15 horas de negociação, permitiu que Maria de Fátima levantasse a porta e saísse. Cerca de cinco minutos depois, Lucas se rendeu, levantou a porta e se entregou, por volta da 1:40 da madrugada deste domingo (10).

Aos 24 anos de idade, ele já possui sete passagens pela polícia, sendo duas por uso de entorpecentes, uma por furto, uma por contraversão de vias de fato, duas por ameaça e uma por crime contra danos. Após ser ouvido pelo delegado Luis Eduardo Rolin, ele foi encaminhado ao CDP de Guarapari, acusado por sequestro ou cárcere privado e também por porte ilegal de armas, podendo a pegar 10 anos de prisão.

Confira abaixo as entrevistas do capitão Palaoro da Policia Militar e do Delegado Luis Eduardo.