A hora de dar à luz a um filho é o momento mais importante da vida de uma mulher, mas para quem depende da saúde pública essa também pode ser a hora de grande sofrimento e humilhação. É exatamente isso que está acontecendo com a cozinheira Luciene dos Santos, 32 anos, que está com 41 semanas de gestação e não consegue realizar o parto do seu filho no Hospital Francisco de Assis (HFA) em Guarapari.

A cozinheira Luciene dos Santos mostra que já fez todo o pré-natal e já está com 41 semanas de gestação. Foto: Rafaela Patrício

Quinta vez. Ela relatou que a médica da Unidade de Saúde que acompanhou sua gravidez avisou que ela teria o bebê até o dia 21 de abril e que a partir daí se a criança não nascesse, teria que ser feita uma cesariana. Mas nesta segunda-feira (01) foi ao hospital pela quinta vez sentindo dores e mais uma vez não fizeram o seu parto. “Era mais ou menos meio dia quando vi que a bolsa estourou. Nós fomos para o hospital e fiquei esperando um tempão para ser atendida. Depois o médico fez o toque e disse que ela não tinha estourado. Me colocaram de observação no corredor e fiquei um tempão esperando. Depois eles me levaram para o quarto e não me deram nada. Era seis horas da tarde eu ainda estava com fome e com sede”, afirmou.

Luciene relatou que uma enfermeira ainda a ameaçou de coloca-la de volta no corredor. “Quando foi às sete da noite a enfermeira chefe veio e falou comigo que era para eu pedir a Deus para não chegar outra paciente porque ela iria me colocar para dormir no corredor à noite”.

Luciene e seu marido, o pedreiro Daniel de Jesus Queiroz, já foram ao hospital cinco vezes e ela não conseguiu ganhar o bebê. Foto: Rafaela Patrício

A grávida disse ainda que “a médica da noite falou que eu tenho que fazer um ultrassom para ver o tamanho do bebê porque minha barriga está muito grande. Eu disse que meu marido está parado e não temos condições de pagar. Mas ela me falou que não poderia fazer o ultrassom em mim porque eu não estava internada e era só para quem está internado”.

Apesar de todo esse sofrimento, Luciene ainda não sabe se vai conseguir passar por uma cesariana. “A médica falou que eu não tinha condições de reduzir o parto porque se o menino for grande, eu não vou suportar e mesmo assim ainda disse que se no sábado tiver uma equipe boa, pode até ser que eles façam uma cesárea. Concluindo, eles vão tentar fazer normal e me maltratar mais ainda”, desabafou.

Respostas. O Portal 27 procurou o hospital para saber por que ainda não foi realizada uma cesariana na paciente e foi informado que “O Hospital Francisco de Assis explica que a direção médica do hospital assegura que o atendimento obstétrico em questão de internação para realização do parto está condicionado ao início do trabalho de parto. O HFA orienta que a partir de 39 semanas a paciente procure a maternidade e faça o acompanhamento de 3 em 3 dias com o obstetra. Confirmando a idade gestacional de 41 semanas, exerce o protocolo de internação-observação para indução do parto de forma segura. Se ainda assim não for possível o parto normal, a paciente passará por uma cesariana”.

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