As mortes de uma grávida de 39 semanas de gestação e o bebê que ela estava esperando, chocaram a população de Anchieta. Parentes e amigos lotaram a frente do Hospital e Maternidade de Anchieta (Mepes) no final da manhã de hoje, quando os óbitos foram confirmados.

De acordo com parentes, Elisângela Brandão do Nascimento, 32 anos, deu entrada no hospital no último sábado, onde ficou aguardando o momento do parto. Quem estava com ela no quarto, disse que por diversas vezes a grávida procurou os médicos solicitando informações sobre o parto, mas era informada que deveria aguardar a bolsa estourar, para a realização do parto normal.

Parentes e amigos lotaram a frente do Hospital e Maternidade de Anchieta (Mepes) no final da manhã de hoje

Medicamento. Uma grávida, que estava no mesmo leito de Elisângela, diz ter presenciado todo o ocorrido. “Ela estava bem, só sentia as dores do parto, mas passava bem. Passamos a madrugada toda conversando, ela comentou que ninguém tinha ido ver ela, nenhum médico tinha feito o toque. Foi então que o plantão trocou e veio um médico junto com uma enfermeira. Fizeram o toque e ele estourou a bolsa dela com uma pinça, mas as dores não aumentavam, o parto parecia que não evoluía. Então o médico colocou nela um soro com um medicamento, foi quando ela começou a passar mal”, conta.

Ela fala do momento em que a mulher começou a se sentir mal. “Uns dez minutos depois uma água preta começou a descer dela. Ela começou a passar muito mal. Ficou roxa, sem enxergar. O médico estava na frente dela, mas ela gritava por socorro pedindo que chamasse o médico, ela falava que ia morrer. Naquela agonia deu um tapa no médico, chegou até pedir desculpas e caiu da maca”, afirma.

A grávida que presenciou a cena, conta que foi retirada da sala pela equipe médica. “O médico pulou em cima dela para procurar a pulsação. Foi quando me mandaram sair de lá. O médico gritou para enfermeira pegar um soro comum. Depois disso só vi a correria dos médicos e enfermeiras. Eu cheguei a ver o corpo da bebê enroladinha. Era até bem grande e parecia ser saudável”, disse a gestante. 

Elisângela Brandão do Nascimento, 32 anos, deu entrada no hospital no último sábado.

A cunhada de Elisângela, Marilza Cipriano, 42 anos, esteve na maternidade na tarde de hoje e conseguiu, com o pai da criança, ver a neném. A menina estava roxa. Segundo a tia, a mãe morreu e não foi possível retirar a criança a tempo. A criança já foi retirada morta da barriga da mãe. 

A família acredita que o hospital não deu a devida atenção para a gestante. “Eles só retiraram a criança depois que a mãe morreu. A menina tomou aquela água do parto. Ela ficou muito roxa. Houve negligência porque o parto dela deveria ser cesáreo, e o hospital ficou segurando, insistindo no parto normal. Ela já estava internada desde sábado esperando o parto”, relata a cunhada. 

A direção do Hospital informou que ainda não é possível informar a causa da morte, e os corpos foram enviados para o Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) em Vitória. 

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