Guarapari é uma cidade famosa internacionalmente por suas praias e belezas naturais. Mas quem vem aproveitar o verão nas praias do balneário nem imagina que em casos de afogamentos um dia de diversão pode ser transformado em tragédia.

De acordo com os guarda-vidas, o município não oferece infraestrutura adequada para que seja realizado um resgate em caso de afogamento no mar. Segundo um salva-vidas que pediu para não ser identificado, um equipamento chamado life-belt quebrou durante um resgate na Praia do Morro nesta quinta-feira, dia 05 de janeiro.
“A gente fez um resgate ontem e o equipamento de trabalho quebrou por estar muito velho e inadequado para uso. Este equipamento é uma boia que é usada para passar na vítima e em caso de mais de uma auxilia na flutuação das vítimas enquanto a gente resgata outras. Assim como foi utilizado ontem, a gente estava resgatando pessoas com menos de 80 quilos, ele aguenta pessoas de até 150 quilos e a gente resgatando uma pessoa com menos de 80 quilos ele arrebentou e dificultou o resgate. Se fosse mais de uma vítima poderia ter acontecido uma fatalidade”.
Além desse equipamento quebrado, os guarda-vidas afirmam que também existe uma série de material de resgate em falta. “A gente tem um monte de equipamento em falta. Um deles é o próprio life-belt, falta também a pocket mask, que a máscara usada para fazer insuflação ou respiração boca a boca. Isso tinha que ter um para cada um e não tem. No meu posto só tem um guarda-vidas com nadadeira também. Protetor solar já aconteceu da gente receber vencido”. Confira abaixo um vídeo em que os guarda vidas mostram o life belt com a corda partida.

Eles denunciam também que faltam equipamentos mais avançados como jet-ski que ajudariam ainda mais na hora do resgate. “O agrupamento Salvamar de Guarapari tem mais de 40 anos e não tem nada disso. A gente sempre brigou por isso aí e nada. A gente lida com vidas, mas pelo que está parecendo para a prefeitura e para o sistema a vida não vale nada”.
Ainda de acordo com os salva-vidas, o número de profissionais também não é suficiente para atender todas as praias da cidade. “O Corpo de Bombeiros fez uma minuta e na baixa temporada teria que ter 120 guarda-vidas e na alta temporada 180 guarda-vidas para guarnecer todas as praias de Guarapari. Nós chegamos a trabalhar na alta temporada nem com setenta guarda vidas. Agora pouco tempo atrás, há duas semanas, entrou mais quinze guarda-vidas só. Mas ainda é muito insuficiente. A única praia em guarnecida é a Praia do Morro, mas tem muita praia sem salva-vidas”.
Os profissionais também afirmam não ter um espaço adequado para trabalhar nem para guardar seus pertences pessoais. “A gente lá só um cadeirão para sentar e um sobreiro. Mas o cadeirão só cabe um e quando chove a gente não tem estrutura de trabalho para ficar na praia então na maioria das vezes a gente vai embora. Aí a praia fica abandonada por falta de estrutura de trabalho que a gente não tem nenhuma. A pouco tem chegaram a roupar até a mochila de um companheiro nosso no posto seis. O posto foi até cercado para inibir o pessoal de ficar perto para não acontecer isso de novo. Mas isso não adianta”.
A Secretaria de Saúde informou que todos os guarda-vidas assinaram um termo de recebimento no ato da entrega do material de trabalho, composto por nadadeiras, máscara, life-belt, short, sunga, camisa, camisa de lycra manga longa e protetor solar. Disse ainda que caso algum profissional necessite de reposição basta procurar a Gerência de Salvamento Marítimo.
Já em relação à estrutura de apoio, a atual gestão está analisando adequações e melhorias para atender os guarda-vidas. O órgão também afirma que está realizando convocações de salva-vidas que participam de processo seletivo conforme as necessidades.










