Mariana: um ano após a maior tragédia ambiental do Brasil

Mariana (MG), 5 de novembro de 2015. Era um fim de tarde tranquilo de uma sexta-feira quando os moradores do pequeno distrito de Bento Rodrigues viram suas casas, propriedades, animais e vidas destruídas por uma onda de lama que desceu da barragem do Fundão por volta de 15h30 daquele dia.

O dique acumulava dejetos provenientes das atividades de exploração da mineradora Samarco. Bento Rodrigues tornou-se um símbolo do ocorrido, mas os impactos do rompimento da barragem atingiram diversas cidades de Minas Gerais. Devastaram paisagens e poluíram o Rio Doce, até desembocarem no litoral do Espírito Santo. Um ano após o acidente, a reportagem da Agência Brasil retornou aos principais distritos atingidos pelo acidente em MG e conta como estão as obras de recuperação das áreas e o apoio às famílias afetadas.

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Bento Rodrigues, distrito devastado pela lama de dejetos da mineração, por Léo Rodrigues/ Agência Brasil.

Passado um ano do rompimento da barragem de Fundão, a reconstrução dos distritos de Mariana (MG) devastados pelo acidente ainda está no papel. As obras deverão ter início apenas em 2018 e as comunidades deverão ser entregues entre 2018 e 2019.

Para gerir os projetos de reparação dos danos causados pela tragédia, a mineradora Samarco criou a Fundação Renova. Ela é a responsável por todas etapas de reconstrução dos distritos, que incluem os estudos topográficos e ambientais, a elaboração do projeto urbano e da planta das casas, a contratação da construtora e a realização das obras.

Os moradores vão apontar, por exemplo, detalhes como a disposição das casas, definindo quem vai ser vizinho de quem. Eles também foram os responsáveis por escolher os terrenos onde as comunidades serão reerguidas, em áreas já adquiridas pela Samarco. Bento Rodrigues, o maior dos três distritos, é previsto para ser entregue em março de 2019. Paracatu deve ser entregue em fevereiro de 2019. Já Gesteira, por ser um distrito menor, deve ser concluído em meados de 2018.

Enquanto os novos distritos da zona rural não são entregues, seus futuros moradores seguem alojados em casas alugadas pela Samarco em bairros da zona urbana de Mariana. Cerca de 350 famílias perderam seus imóveis após a tragédia. O engenheiro Álvaro Pereira, líder de programas da Fundação Renova, explica que o desdobramento do processo leva em conta muitas consultas aos atingidos.

O projeto urbano foi desenvolvido após diversas reuniões com pequenos grupos de moradores. Foi feita uma dinâmica em torno de três questões: o que os moradores tinham em Bento Rodrigues e querem continuar tendo, o que eles tinham e não querem mais ter, e o que eles não tinham e agora querem ter. O processo é idêntico para os outros dois distritos.

Por Léo Rodrigues – Repórter da Agência Brasil 

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