Uma moradora de Guarapari entrou em contato com nossa redação para denunciar que sua mãe sofreu maus tratos durante internação recente no hospital Estadual Dório Silva, na Serra. Segundo Sandra de Souza Alves, sua mãe, Maria de Souza Alves, possui 65 anos e foi encaminhada para a UTI após chegar ao Pronto Atendimento de Guarapari com uma crise de hipoglicemia.

Crise. Segundo Sandra, a idosa que já possui a saúde agravada por duas doenças (insuficiência cardíaca e cirrose hepática, popularmente conhecida como barriga d’água) chegou ao UPA com uma crise de hipoglicemia, foi internada e encaminhada direto para a UTI do Dório Silva. “O diretor da UPA encaminhou ela pra UTI, a gente deveria ter questionado porque ele não chegou a conversar com a família dizendo que estaria levando-a para a UTI. Ela tem duas médicas que dão assistência, com quem converso pelo zap e não havia necessidade de interná-la na UTI”, afirmou Sandra.

Moradora relata que mãe sofreu maus tratos durante internação recente no hospital Estadual Dório Silva, na Serra.

A internação. “De domingo até terça-feira que ela ficou na UTI, ela ficou nesse estado, cheia de hematomas. Se a gente não a tirasse na terça-feira à noite, ela teria morrido, porque nós encontramos a minha mãe amarrada, ela tinha sangramento na boca, ela tinha lesões pelo ombro, coxa. Ela tinha fome, sede e, tadinha, tremia toda, passou muito frio”, afirmou a filha, alegando que a família está muito revoltada e faz a denúncia para que não aconteça com outras pessoas.

Depois que tiraram a senhora Maria da UTI, não foi permitido que nenhuma das duas filhas acompanhassem. “Tem que ter uma explicação. Olha a gravidade da situação, foi retirado o direito dela de ter o acompanhante, sendo uma idosa de sessenta e cinco anos, sendo que quando ela fica em outro hospital, eu e a minha irmã fazemos o acompanhamento dela, com pandemia ou sem pandemia”, afirmou Sandra.

Explicações. De acordo com Sandra, a justificativa que o hospital deu para os hematomas foi a necessidade do uso de heparina, o que para ela também é questionável. “A justificativa deles para a situação de hematomas que encontramos nela não faz jus ao que eles falaram, porque até então o uso de heparina é para outras situações, tanto que nós a trouxemos para casa de carro mesmo, ela estava bem, foi mantida na UTI desnecessariamente, tipo, é como se ela tivesse que morrer e a culpa ser do coronavírus. Na situação desumana que a encontramos, ela ia morrer mesmo, eles colocariam ela em um saco e enterrariam sem a gente poder ver nossa mãe”, afirmou Sandra que, juntamente com sua irmã, tirou a senhora Maria do Hospital, sem que fossem pedidos documentos de nenhuma das duas.

Paciente chegou ao UPA com uma crise de hipoglicemia, foi internada e encaminhada direto para a UTI do Dório Silva

Trauma. Sandra afirma que o psicológico de sua mãe está muito abalado e Dona Maria está muito resistente em ir ao hospital, pois fica com medo de ser deixada lá. “A gente só chora, porque o psicológico dela está muito abalado, eles não estão dando assistência com relação ao psicológico e ela precisa de sete em sete dias voltar para tirar líquido da barriga, no UPA ou na Santa Casa, em Vitória. Levei-a e tive muita dificuldade pra tirá-la de casa. É uma luta muito grande, na quarta-feira eu fui com ela pra Vitória, mas é muito difícil, porque ela acha que a gente está levando ela para lá, porque até então ela achava que tivesse sido sequestrada ou que a gente tivesse deixado ela num lugar qualquer para ela morrer, pela tortura que ela sofreu lá dentro, isso não pode, as pessoas têm que saber o que está acontecendo lá dentro, a gente está muito triste”, finalizou Sandra sobre o estado psicológico da mãe atualmente.

Prefeitura. Para saber explicações sobre o assunto, procuramos prefeitura, através da Secretaria Municipal de Saúde que nos respondeu:

“Segundo informações dos relatórios de atendimentos médicos, a referida paciente deu entrada na emergência da UPA-24h com quadro de dispneia e dor abdominal, entre outras queixas. Devido a condições crônicas apresentadas pela mesma, sabendo da necessidade de suporte adequado para a saúde da paciente, o profissional médico plantonista solicitou a internação à Central de Regulação de Leitos.

A direção técnica esclarece que a todo momento, as decisões tomadas pela equipe assistencial visam garantir a integridade da saúde dos pacientes, bem como a resolutividade dos quadros. Reforça ainda que em nenhum momento houve recusa em prestar informações sobre o estado de saúde da paciente a seus familiares. A direção reitera que tais informações também podem ser obtidas a qualquer momento com a equipe de enfermagem e o serviço social da UPA-24h.

A Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h) faz parte da Rede de Atenção às Urgências e seu objetivo é concentrar os atendimentos de saúde de complexidade intermediária, compondo uma rede organizada em conjunto com a atenção básica, atenção hospitalar, atenção domiciliar e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU 192.

A UPA 24h oferece estrutura simplificada, com raio-X, eletrocardiografia, laboratório de exames e leitos de observação e ainda realiza atendimento resolutivo e qualificado aos pacientes acometidos por quadros agudos ou agudizados de natureza clínica. Presta o primeiro atendimento aos casos de natureza cirúrgica e de trauma, estabilizando os pacientes e realizando a investigação diagnóstica inicial, de modo a definir a conduta necessária para cada caso, bem como garantir o referenciamento dos pacientes que necessitarem de atendimento. Mantém pacientes em observação, por até 24 horas, para elucidação diagnóstica ou estabilização clínica, e encaminha aqueles que não tiveram suas necessidades resolvidas, com garantia da continuidade do cuidado para internação em serviços hospitalares de retaguarda, por meio da regulação do acesso assistencial.”

Maria de Souza Alves, possui 65 anos e foi encaminhada para a UTI após chegar ao Pronto Atendimento de Guarapari com uma crise de hipoglicemia.

Respostas. Procuramos a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) que nos respondeu que:

“A direção do Hospital Estadual Dório Silva esclarece que recebeu a paciente por meio de solicitação de unidade de saúde de Guarapari para leito de UTI, via sistema de regulação de leitos. Informa que a paciente foi devidamente atendida pela equipe médica ao chegar à unidade, e durante toda a sua permanência no hospital recebeu toda a assistência necessária.

A direção esclarece que todos os procedimentos e condutas para contenção, química e mecânica, foram realizados seguindo protocolo institucional com o objetivo de proteção do paciente, que quando agitado acaba retirando os acessos venosos e outros dispositivos invasivos, oferecendo risco à própria saúde. Para garantir nutrição adequada e evitar broncoaspiração do paciente, quando necessário, também é adotada a prescrição do uso de sonda.

A direção informa, ainda, que a equipe de Assistência Social prestou todos os esclarecimentos para a família sobre o caso e continua à disposição.”