A praça Philomeno Ribeiro se transformou em um espaço de protesto e debates na noite do último domingo (3). Coletivos feministas fizeram uma vigília para debater questões ligadas à violência contra a mulher, relembrando o caso de Maria da Conceição Bispo, conhecida como Ceissa Moreno, morta em Guarapari na última semana.

De acordo com Kamillan Benevenuto de Souza, representante do coletivo Mulheres que Lutam, e uma das organizadoras do evento, participaram também da organização os coletivos Maratimba, Abayomi, Luta Mulher e Delas. Segundo Kamillan, a vigília foi realizada “em homenagem a Maria da Conceição, que foi assassinada aqui no município e em homenagem também a todas as outras vítimas de feminicídio do Brasil”, afirmou Kamillan lembrando que o ano está apenas começando e já existe uma estimativa de 107 mulheres vítimas de feminicídio no país.

Vigília em prol de Ceissa Moreno – foto de divulgação

Participaram da vigília aproximadamente 30 pessoas, incluindo representantes do Fórum de mulheres do Estado do Espírito Santo, algumas representantes do Judiciário, a presidente da OAB da região de Guarapari, Anchieta e Alfredo Chaves e mulheres da Comissão da Mulher da OAB de Guarapari, “além de alguns representantes dos coletivos, inclusive dois representantes do coletivo sinestesia que estiveram presentes prestigiando o evento”, afirmou Kamillan.

O evento, segundo Kamillan, foi inspirado em uma prática comum das mulheres latino-americanas, “que é sair em vigília quando alguém da comunidade ou alguma mulher é assassinada. A gente se inspirou nas Madres de Plaza de Mayo, que é um movimiento que surgiu na Argentina durante a ditadura para combater a violação aos direitos humanos”, afirmou.

O grupo se reuniu na Prainha e caminhou até a praça Philomeno Ribeiro, levando cartazes com dizeres como “Diga não à violência contra as mulheres”, “Não espere morrer mais uma, denuncie”, “Machismo adoece e mata”, dentre outros.

“Não espere morrer mais uma” – coletivos feministas debatem violência contra a mulher – foto de divulgação

Kamillan declarou ao Portal 27 que o objetivo foi fazer a vigília pela morte da Maria da Conceição. “Primeiro as pessoas se apresentaram, depois a gente leu um documento, cada coletivo fez um documento que vai ser apresentado à OAB, após a leitura do documento nós colhemos assinaturas e por fim a gente fez uma ciranda dizendo o nome de Maria da Conceição para lembrar a vida dela”.

De acordo com a representante do coletivo Mulheres que lutam, as discussões feministas são muito importantes, e ações desse tipo são necessárias. “Acho que a gente tem que fomentar essa discussão por vários motivos, o mais latente é que muitas mulheres perdem a vida por causa de uma violência que é socializado nessa sociedade patriarcal. Algo que é comum a mulher ser tratada como submissa ou como objeto, como propriedade. Então a gente quer mesmo quebrar essa cultura, essa forma de ver mundo que extermina mulheres, não só aqui, mas no mundo inteiro e principalmente porque o Brasil é também o terceiro no ranking de violência contra mulher, acho que é importante fomentar essa discussão. A gente não vai aceitar nem uma a menos, que a gente vai estar vigilante e atento para tudo o que acontece contra o gênero feminino e a gente não vai mais se calar”, finalizou.

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