A série de reportagens do especial “Os jovens e o Crime” já ouviu profissionais da área da segurança pública. Na terceira matéria conversamos com a Secretária Municipal de Trabalho, Assistência e Cidadania de Guarapari, Shirley Pereira. Conheça o trabalho que vem sendo realizado na cidade para tentar retirar os menores do mundo da criminalidade.

Portal 27. Secretária, na sua opinião, o que leva pessoas tão novas a se envolver com o crime?

Shirley. Primeiro é a falta de orientação familiar, acho que este é um fator bem forte. O desemprego e a evasão escolar também geram isso. O fato de não ter um curso na cidade que agrade a eles faz com que prefiram ficar na rua do que dentro da escola. Esses são os três fatores que pesam mais.

Portal 27. A sua Secretaria realiza algum trabalho para evitar que outros jovens se envolvam com o crime?

Shirley. Hoje a Secretaria de Assistência Social não tem nenhum trabalho voltado para a prevenção na questão da criminalidade ou envolvimento com drogas. O que nós temos é o projeto Novos Rumos, que atende os meninos que já cumprem medidas socioeducativas. São menores infratores, meninos que se envolveram com brigas e meninos que se envolveram com tráfico. Eles são acompanhados pela Vara da Infância e da Juventude e encaminhados para nós.

Segundo a secretária Municipal de Trabalho, Assistência e Cidadania, Shirley Pereira, Guarapari não tem projeto para evitar que os jovens se envolvam com o crime, mas a SETAC realiza um trabalho com menores infratores.

Portal 27. Como funciona o projeto?

Shirley. Ele é um serviço de proteção social aos adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto de liberdade, assistência e prestação de serviços à comunidade. O objetivo é ofertar atividades e oficinas que proporcionem aprendizado e cultura. A liberdade assistida é uma intervenção educativa centrada no atendimento personalizado, orientação, manutenção dos vínculos familiares e comunitários, inserção no mercado de trabalho ou em cursos profissionalizantes e acompanhamento da escolarização desses jovens. Todas as ações visam responsabilizar os jovens atendidos e promover a reinserção social deles.

Portal 27. Os jovens do projeto voltam a cometer crimes?

Shirley.  A gente não pode garantir que o menor não vai voltar para a criminalidade. Mas existem condições para que ele continue em liberdade. Mensalmente a gente passa um relatório para a Vara para dizer que aquele menor ou jovem está indo realmente ao projeto. Lá existem as oficinas que eles podem frequentar.  

Portal 27. Quantos jovens o projeto Novos Rumos atende? Eles ficam no projeto por quanto tempo?

Shirley. Temos 44 aproximadamente e estamos dentro do nosso limite que é de até 50 jovens. Quem determina se o jovem é suspenso ou não do projeto é a Vara da Infância. Nós não fazemos o desligamento. Ele só não frequenta o projeto se não quiser e aí ele ou a família vão responder juridicamente por isso.

Portal 27. O município tem alguma política pública voltada para ajudar os jovens em relação ao desemprego?

Shirley. Não. Dentro do âmbito de emprego não.

Portal 27. Muitas vezes os jovens relatam que cometem assaltos ou furtos porque as famílias passam necessidade ou porque querem ter algum bem que outras pessoas têm e eles não tem condições de comprar. Existe algum projeto voltado para as famílias de baixa renda?

Shirley. Para as famílias temos o atendimento nos CRAS, que é o Centro de Referência de Assistência Social. Hoje temos três CRAS no município. Um fica localizado no bairro São José que atende todo o entorno e os outros ficam no bairro Kubitscheck e Santa Mônica. A família vai até lá, procura a assistente social e faz a entrevista. A família fica cadastrada e após uma visita domiciliar é feita uma triagem para saber se ela precisa ser acompanhada pela CRAS por cesta básica ou por atendimento médico e aí a assistente social aciona a saúde, ou se ela precisa de um acompanhamento com a assistente social ou psicólogo.

Portal 27. O que pode ser feito para evitar que outros jovens se envolvam com a criminalidade?

Shirley. Acho que as famílias precisam ser mais ativas dentro de casa e a lei precisa ser menos branda. Precisamos ter mais rigor no cumprimento da lei porque como ela é um pouco frouxa eles acham que podem fazer tudo e não vai acontecer nada com eles.

Portal 27. Os municípios não deveriam oferecer mais oportunidades, esporte e atividades extracurriculares para que os jovens não fossem capturados pela criminalidade?

Shirley. Oferecer esporte e outras coisas às vezes o município até oferece, não estou falando só de Guarapari. Mas não há o interesse deles em participar. Temos exemplo de meninos acolhidos na Casa de passagem que não se interessavam em ir ao complexo esportivo e lá eram oferecidos futebol, basquete e natação. Acredito que os que estão fora do nosso acolhimento também não tem interesse porque não é atrativo para eles ficar indo lá toda semana praticar um esporte. É mais rentável trabalhar com o tráfico porque ele está ganhando dinheiro, mesmo que temporariamente. Mas precisa ser feito um investimento tanto na parte de programas que oportunizem emprego como programas esportivos. A gente não pode julgar apenas porque uns não quiseram ir. Então a prática de esporte e políticas que possam oferecer o primeiro emprego são importantes sim.

Portal 27. Existe algum projeto sendo formulado para evitar que outros jovens não se envolvam com o crime?

Shirley. Não. Nós temos só um projeto para evitar a gravidez precoce nas meninas, mas para meninos ainda não.

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