O problema não é novo, é sério e continua acontecendo. Pacientes precisam dormir na fila para conseguirem fazer um simples exame de sangue pela rede municipal de saúde. O Portal 27 já fez reportagem sobre o problema, mas longe de terminar, a situação parece se agravar.
Na última semana a reportagem do Portal 27 foi solicitada para acompanhar o drama dos moradores da região norte da cidade. Longas filas se estendem pela noite à dentro, com pacientes, até com mal de parkinson, tendo que dormir na fila para garantir um carimbo para fazer exames ambulatoriais.

Na noite de quinta-feira (04) a reportagem do Portal 27 foi até o bairro Setiba para acompanhar o drama dos pacientes, que mesmo doentes, têm que passar a noite ao relento, no frio e debaixo de chuva para garantir um exame. E, além disso, muitos que estavam ali disseram que as filas têm aumentado e quem já conhece o procedimento, precisa chegar mais cedo do que de costume para garantir lugar.
“Antes, quando precisava fazer um exame, chegava aqui por volta da meia noite e conseguia. Hoje tive que chegar às 18 horas para não perder a ficha para conseguir o carimbo” explicou Estefânia da Silva Hackbart, 19 anos. Ela estava na fila para pegar ficha para a mãe, que estava doente.

Às 18h30 da noite de quinta-feira (04), a família de Silvana da Silva Barbosa chegou na fila. Ela, o pai e a mãe, que sofre de mal de Parkinson, levaram até o jantar para a fila, pois eles tinham vindo de Village do Sol para garantir lugar na fila. Silvana fez uma operação de apendicite e agora vai ter que fazer outra para retirada de uma hernia decorrente da primeira operação. O pai sofre com problemas renais e a mãe precisa continuar o tratamento para a doença.
Ilton Pereira dos Santos, 76 anos, estava pela segunda vez em menos de dois meses na fila. Desta vez ele aguardava para conseguir o carimbo para um exame pedido pelo médico para a esposa dele. Ela, com a saúde frágil, ficou em casa.

Situação também muito incômoda, além é claro de ter que dormir em uma fila para fazer com que o poder público cumpra com suas obrigações, era a da dona de casa Santina Ribeiro Sales, 51 anos. Ela teve que deixar o filho e a irmã dela, os dois especiais em casa, junto com a mãe de 83 anos para poder conseguir a ficha. Deitada no chão de paralelepípedos e protegida apenas por um fino edredom, ela e todos os outro pacientes entrevistados pelo Portal 27 falaram de um mesmo sentimento: humilhação.
Todos, sem exceção, disseram que pior do que ter que passar a noite esperando na fila, é o sentimento de humilhação pelo qual eles têm que submeter para conseguir um simples exame.
Farmácia e nebulização
Além de ter disponível apenas vinte fichas para exames ambulatoriais para população de pelo menos oito bairros atendidos pelo posto de saúde, a unidade ainda tem, desde a inauguração, um aparelho de nebulização novo que está parada esperando para que seja instalado.
Outra situação é da farmácia do posto. De acordo com informações dos moradores do bairro Elza Nader, foi prometido à comunidade que uma farmácia começaria a funcionar no posto, para que os pacientes não precisasem se deslocar até Muquiçaba para retirar medicação. Mas até o dia seguinte à visita da reportagem do Portal 27 ao posto de saúde, nada tinha sido feito.
Recursos da União diminuíram e demanda aumentou
Procuramos a prefeitura de Guarapari para comentar sobre a situação enfrentada pelos pacientes da Unidade de Saúde de Setiba. Confira abaixo a resposta na íntegra:
“O município têm empreendido todos os esforços pra aumentar a oferta de exames, mas, a cada mês, tem ocorrido a redução dos repasses do Fundo Nacional de Saúde, o que dificulta o aumento da oferta. Contudo, nos últimos 36 meses, o número de exames oferecidos à população de Guarapari teve um aumento superior a 200%, o que é claramente comprovado pelos números e relatórios apresentados nas últimas prestações de conta.
Ocorre que, com a forte crise financeira que assola a economia nacional e, com o aumento do desemprego, o Sistema Único de Saúde vem recebendo centenas de novos usuários a cada mês, o que representa um número significativo na demanda. Assim, o município vem estudando novas formas de aumentar a oferta, afim de proporcionar melhores condições aos usuários.
Quanto ao nebulizador, está em análise na Câmara Técnica Médica de Guarapari a substituição por espaçadores, uma técnica muito mais moderna já utilizada em países desenvolvidos e outros municípios do Espírito Santo. Com custos menores, maior eficácia comprovada e menos risco de contaminação.
O município já instalou os armários, gaveteiros e outros equipamentos necessários ao funcionamento da farmácia na unidade de Setiba. Em breve estará recebendo os medicamentos e aguarda a homologação do concurso público para convocação do farmacêutico, para iniciar as atividades da farmácia, que atenderá a demanda da região norte, haja vista que é existência legal a necessidade de um profissional farmacêutico na dispensação de medicamentos.
Idosos e outros que possuem atendimento prioritário por lei, são devidamente atendidos preferencialmente, respeitada a legislação”.











