Passageiros e o motorista do ônibus da viação Alvorada, que fazia a linha Vitória- Guarapari e foi assaltado no quilômetro 32 da Rodovia do Sol, na tarde desta terça-feira (21), relataram os momentos de horror que viveram. Um Policial Militar que estava dentro do coletivo à paisana reagiu para poder ajudar um Guarda Municipal e teve início um tiroteio que resultou na morte de duas pessoas e deixou outras três feridas.

Durante o assalto um policial que estava à paisana reagiu e teve início um tiroteio. Foto: Rafaela Patrício

A sobrinha da professora que estava na cadeira ao lado, Adriana Queiroz, 43, que também é professora, disse que a tia gritou após ser atingida pelos disparos. “Quando ela levou o tiro ela disse que ia morrer e morreu mesmo”, disse Adriana ainda muito abalada.

Os criminosos anunciaram o assalto após o coletivo passar o pedágio. “Eu trabalho em Ponta da Fruta, entramos eu e uma amiga no ônibus. Nós sentamos e logo depois que passou o pedágio, começou os pedidos por celular. Nisso, a minha tia estava lá atrás conversando com umas amigas e ela veio se sentar e falou que era assalto”, lembra Adriana.

Adriana disse que os assaltantes vieram do fundo pedindo os celulares. “Eles foram pedindo os celulares, o pessoal foi dando e nisso começou os tiros. A gente foi se abaixando e foi cada um se enfiando debaixo de uma cadeira. Uns deitaram”, lembra ela.

E completa. “O policial à paisana que estava lá na frente se levantou e depois disso começou a troca de tiros. Tiros vindo de trás e pela frente. Nesse momento minha tia levou o tiro. Estávamos no meio do ônibus”, disse.

Para Adriana, será um momento difícil de esquecer. As duas saltariam do ônibus no próximo ponto, em Setiba, onde o marido da tia estava esperando.

O motorista do coletivo, que prefere não ser identificado, contou que só percebeu o que estava acontecendo quando foi avisado pelo cobrador que o ônibus estava sendo assaltado. “Eu parei para embarcar um passageiro e o cobrador me avisou do assalto e não acreditei. Achei que estava brincando comigo, mas parei. Então eles começaram a gritar para eu arrastar o ônibus e aí arrastei. Eles anunciaram o assalto só que tinha um guarda lá atrás e um policial na frente. Eles renderam o guarda e o outro policial estava à paisana. Provavelmente ele ficou com medo de machucarem o cara lá atrás e reagiu”.

Ele disse ainda que com medo de ser baleado chegou a abandonar o ônibus. “Escutei os tiros e parei e me abaixei. Fiquei com medo de levar tiros e desci correndo. Depois peguei carona lá na frente e voltei. Quando cheguei encontrei os feridos. Todos os dias a professora pegava o ônibus com a gente”, lamentou.

Em dois anos na empresa, o motorista relatou que já havia passado por outras situações de assaltado, mas nenhum com vítimas. “A sensação é muito ruim. Eu só pensava no meu filho em casa. Já passei por outros assaltos, mas desse jeito não. Eles levavam o dinheiro e iam embora. Assim é a primeira vez”.

Marcas de tiros no parabrisa do ônibus. Foto: Rafaela Patrício

Um analista de sistemas, de 27 anos, era um dos passageiros e afirmou que os dois homens estavam armados e que o assalto começou nos fundos do coletivo. “Foi rápido. Eu estava sentado no fundo e logo depois que entreguei a carteira, como eles haviam pedido. Um deles vinha recolhendo os pertences de alguns passageiros no fundo e o policial reagiu na frente. Aí os bandidos começaram a atirar no policial. Acho que o policial saiu do ônibus e continuou atirando e eles correram para o mato”.

“Eles gritavam “passa o celular”, “passa o celular”. Na hora deu tempo para esconder meu telefone e dei a carteira, que era mais fácil de cancelar os documentos. Nesse meio tempo o policial reagiu e só deu para eu me abaixar. Foram bastante tiros. A sorte que a armas deles deveria ser antiga porque ela mascou muitos tiros”, lembra o passageiro.

Um técnico em informática, de 35 anos, que também prefere não ser identificado, foi ferido de raspão na cabeça. Ele contou que estava dormindo quando tudo aconteceu. “Acordei com a gritaria e os bandidos mandando passar os celulares. Logo em seguida foram muitos tiros e não deu nem para contar quantos. Eles começaram lá dentro e do lado de fora teve mais tiros e eu acabei sendo atingido na cabeça”.