Após anos de estudo, pesquisadores de cinco universidades do país – UFPB, UFRJ, Ufes, USP e Uenf – concluíram por meio de provas de que sedimentos da lama liberada no rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG), em 5 de novembro de 2015 chegaram a Abrolhos.

Abrolhos: fonte – ICMBio

O estudo, segundo o jornal O Globo, foi publicado no dia 29 de agosto em uma revista especializada “Science of the Total Environment”, comprovando que a lama da mineradora chegou ao extremo sul de Abrolhos. Segundo os pesquisadores, a lama da barragem de Fundão alcançou o Arquipélago no dia 16 de junho de 2016. Para chegar a essa conclusão, os estudiosos fizeram análises com sensoriamento remoto, isótopos e DNA que comprovaram a presença dos rejeitos no local em 2016 e 2017, em 2018 a pesquisa não teve prosseguimento.

O fato tem sido contestado pela Fundação Renova, encarregada pela Vale e BHP Billiton de realizar os estudos sobre os danos causados pelo desastre. A Renova afirmou, segundo o jornal O Globo, que o monitoramento dos corais deve durar cinco anos e foi iniciado em 2018. “Até o momento, os dados não indicam a ocorrência de danos aos recifes” (Nota da Fundação).

Em contrapartida, a pesquisa das cinco universidades mostra em detalhes o caminho percorrido pela lama até os corais de Abrolhos. Recifes que estão localizados a cerca de 80 quilômetros da foz do Rio Doce e que foram descobertos há poucos anos e abrigam espécies em extinção foram atingidos pelos rejeitos.

A pesquisa investigativa da lama presente em Abrolhos foi independente. Em entrevista ao jornal O Globo, Fabiano Thompson, pesquisador do Instituto de Biologia e da Capep/ UFRJ que esteve à frente do estudo afirmou: “é por isso que pesquisa independente é fundamental no Brasil, para proteger os interesses da sociedade. Esse é o papel da ciência e das universidades”, destaca ele lembrando que o Congresso está analisando um projeto para flexibilizar o processo de licenciamento ambiental para empresas como a Samarco.

Em extensão de danos ambientais, o desastre da Samarco, segundo os pesquisadores, que matou 19 pessoas é maior do que o da Vale em Brumadinho. Os rejeitos espalhados com o rompimento da barragem de Fundão acabaram com povoados rurais de Minas Gerais e afetaram mais de 30 cidades de Minas e do Espírito Santo, além de devastar o Rio Doce.